14/08/2006

Até breve...

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Adeus ao blog. Adeus ao computador, aos e-mails e ao Messenger. Adeus à electricidade, à água corrente e à cama. Adeus ao frigorífico, à televisão e aos dvds. Adeus ao conforto, ao ar-condicionado e ao tecto sobre a cabeça. Adeus ao fogão, às especiarias e aos cozinhados. Adeus ao telefone, à Internet e à TvCabo. Vemo-nos daqui a uma semana.
Olá, Paredes de Coura...
Bem, vou-me embora, mas antes, como já tinha prometido a uma certa pessoa cor-de-rosa com olhos amarelos, cá fica uma receita de pizza. Vá, meia receita porque só vou dizer como fazer a massa e dar algumas dicas...

Ingredientes para a massa:
20g de fermento (facultativo se farinha já tiver fermento)
450g de farinha
200 ml de água morna
4 colheres de sopa de azeite
1 pitada de sal

Dissolve-se o fermento na água. Num recipiente grande, mistura-se e amassa-se a farinha, o fermento diluído e o azeite (se espalharem bem alguma farinha nas mãos, evitam ficar com a massa colada aos dedos...). Deixa-se levedar durante uma hora. Depois estende-se numa forma (ou directamente na chapa do forno) e cobre-se com molho de tomate ou com tomate partido muito fino. NUNCA ESQUECER de temperar com uma pitada de oregãos (senão fica sem sabor...), mas não se deve exagerar porque, toda a gente sabe, os oregãos são bicho forte e bravio! Em seguida, acrescentar cogumelos laminados e quaisquer outros ingredientes à escolha (fiambre, bacon, CAMARÕES, etc...). Cobrir tudo com queijo ralado. Levar ao forno, pré-aquecido a 250º, até o queijo estar completamente derretido (podem deixar estar mais um pouco, mas tirem se começarem a ver fumo a espalhar-se pela casa...).
Ah! Depois come-se (só para não ficarem dúvidas)...

Espero que gostem...
Boas férias (mesmo que forçadas, Polegar...).
PS: Nenuco, já sabes que estás de prevenção na última semana deste mês! Não podes abandonar o país!;)

03/08/2006

24, a primeira temporada...

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O Tony é um gringo, barbichinha mesmo abaixo da boca, agente da Unidade Anti-Terrorismo. Está apaixonado pela Nina, que é uma agente pãozinho sem sal, mas gira, que por sua vez está apaixonada pelo Jack Bauer, personagem maior da série, "pai" de Kim Bauer (ui, a Kim Bauer! Ainda ninguém tem o número da Elisha?!) e "esposo" de Teri Bauer, raptadas por causa da tentativa de assassinato do Senador Palmer... Adiante! Ora o Tony, no episódio das 11h às 12h, é interrogado pela personagem bitch da série, a Alberta Green (pessoalmente, poria qualquer personagem chamada Alberta Greeen como empregada das limpezas. Já estou mesmo a ver o diálogo: - Oh D. Berta, traga-me um café e depois limpe lá o escritório...). Está tudo muito bem, o Tony e a Nina (hum, dois grandes nomes para personagens numa futura novela da TVI...) são levados para salas separadas, para não combinarem uma história e para levar cada um deles a pensar que o outro o tramou. A D. Berta está a fazer um bom trabalho a interrogar o Tony. MAS...
Isso é uma câmara atrás de ti ou estás só contente por me ver?...

Como ela diz, ser despedido é o menor dos problemas quando estas coisas acontecem...

Agradecimentos ao Xôr Durham, pelo empréstimo da série... ;)

26/07/2006

Um dia na pele de um informático

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O dia estava bonito. Era um domingo de muito sol, temperatura amena e uma leve brisa soprava no ar. O Estranho acordou a pensar “Mas que belo dia para formatar um computador!”. E lá partiu ele à aventura. As dificuldades foram muitas e o Estranho, com medo de se perder e nunca mais voltar a ver a luz do dia, decidiu escrever um diário da viagem ao desconhecido. O manuscrito que se segue foi encontrado numa garrafa de água com gás com sabor a limão (a marca permanecerá uma incógnita por motivos de publicidade gratuita, mas a Polegar já entrou num anúncio dessa marca…).

Aqui fica O DIÁRIO PERDIDO D’O ESTRANHO EM BUSCA DO COMPUTADOR LIVRE DE VÍRUS!

10h00 – O dia está bonito. É um domingo de muito sol, temperatura amena e uma leve brisa sopra no ar. Mas que belo dia para formatar o computador!

10h15 – Agora que saí da casa de banho, vou tomar o pequeno almoço.

10h30 – Hum, mas que bem que soube aquela torradinha barrada com manteiga com pouco sal e aquele copinho de suminho. Mas porque raio é que estou a usar “inhos”?! Ei, será que já está a dar o Pokemon? Vai, Pikachu, raio de trovão!

11h00 – Ai, aquele Pikachu, que malandro, mas conseguiu salvar o dia outra vez! E o Team Rocket é que não há maneira de aprender. Bem, mas no fundo devem ser todos amigos, afinal de contas, no mundo dos pokemon, há sempre alegria no ar. Vamos lá tratar do computador, acho que já fiz cópia de tudo, mas é melhor confirmar porque acho que ontem criei mais uma pasta “old and bushy”…

11h30 – Finalmente, tudo o que é importante está gravado em cd. Vamos lá então, ponho o cd do Windows XP, reinicio o computador e faço iniciar a partir do cd…

12h00 – Hum… E agora? Desejo reparar ou instalar uma nova versão do Windows? Acho melhor instalar uma nova, ainda há pouco tempo fiz reparar e não serviu de nada.

12h15 – Hã?! Em que partição quero instalar? Mas que raio é uma partição?! Bom, se só tem aqui uma opção, se calhar, é esta que eu quero…

12h30 – Oh não! Se instalar nesta partição, como já lá tem uma cópia do Windows o sistema pode ficar instável (vem-me à cabeça a imagem do Alberto João Jardim a sambar, do Cavaco a comer, do Jerónimo a dançar…)! Oh, mas espera lá, se eu formatar tudo, a cópia deixa de existir, deve dar na mesma… Ora bem, formatar usando o sistema de pastas não sei quê (rápido) ou formatar usando o sistema de pastas não sei quê? Bem, vou usar o normal, se calhar fica melhor… e aproveito e vou almoçar!

13h30 – Mas porque raio não escolhi o rápido?! Esta #censurado# ainda está a formatar?! #Censurado#!!! Vou mas é buscar uma garrafa de água com gás com sabor a limão de marca incógnita por motivos de publicidade gratuita!

14h00 – Ufa, finalmente já está a instalar… “Tempo de espera previsto de 34 minutos”? Mesmo a tempo do Lost. Eh pá, aquela Kate… Ui, o prazer significativo que eu lhe dava…

14h34 – #Censurado#, esta #censurado# ainda não acabou?! Que #censurado#! Vou mas é ver o Lost e isto que se #censurado# por um bocado!

15h30 – Pfui, o Michael não engana ninguém! Pensei que o Hurley lhe ia espetar uma cabeçada, mas também, com aquele cabelo, ele nem sentia! Ei, esta #censurado# está à espera que eu lhe meta o código de identificação!

16h00 – Finalmente o sonzinho característico do Windows! Já está quase, agora é só ligar a Internet e começar a tirar as actualizações do Windows para não apanhar mais nenhum vírus…

16h15 – #censurado#!!! #censurado# que pariu esta #censurado#!!! Mas que grande #censurado#!!! #censurado#!!! “O Windows vai encerrar dentro de 60 segundos” #censurado#, eu só carreguei na #censurado# do ícone da actualização da #censurado# do Windows!

16h30 – Ei, #censurado#, pois é, já sei o que isto é… Que cena, eu tinha aqui as actualizações para não apanhar o Sasser ou o Blaster mal ligasse à Internet… Bom, olha vou corrigir isso agora e tratar de actualizar tudo.

16h45 – Pronto, agora é que é! Iupi, começar actualização! 5 ficheiros, tempo previsto, 15 minutos. Tá-se bem!

17h00 – Vamos lá ver se há mais… 15 actualizações? Tempo previsto, 30 minutos? Ok, pronto…

17h30 – Mais actualizações?! Service Pack 2?! Mas porque raio não mandam isto tudo de uma vez?! Tempo previsto, 30 a 45 minutos?! #censurado#!!!

18h15 – Bom, agora já deve estar… #censurado#!!! Mais 4 actualizações… tempo previsto, 15 minutos…

18h30 – Ah, até que enfim! Bom, deixa-me cá pegar nos meus documentozitos e começar a passar tudo…

18h45 – Bah! Meia dúzia de erros de redundância cíclica nos cds, o que quer que isso seja, mas pronto, as pastas de trabalho e o essencial está salvo. Acho que vou lanchar…

19h00 – Ora bem, ora bem, vamos lá outra vez. Hum, onde está o cd do Office?

19h05 – Só me faltava mais esta!!! #censurado#!!! Onde raio está a porcaria do cd do Office?!

19h10 – (sms para os suspeitos do costume a perguntar se têm o cd do Office)

19h15 – (primeira resposta: “Não tenho, só do Windows…”)

19h20 – Bah, vou mas é ver pela net qualquer coisa.

19h25 – O que se passa? A net está sempre a cair…

19h30 – Bem, pode ser por estar tudo instalado de novo. Ainda me lembro que quando mudei de telefone, isto andou assim instável por uns tempos…

19h35 – Bom, desisto! Vou ver homens feitos e barbudos a abraçarem-se em tronco nu, enquanto ficam cada vez mais suados… Luta livre americana!

21h00 – Hum, acho que não vou resistir à tentação de instalar aqui uns joguitos…

21h15 – Pronto, não encontro o cd do joguito, fico sem joguito… #censurado#!!!

21h30 – (segunda resposta: “Oh pá, o meu Office foi instalado na loja da espanhola, não tenho os cds…)

21h31 – Pronto, já sei quem tem o cd… Mas porque raio é que a Internet está sempre a ir abaixo?!

21h35 – Ctrl-Alt-Delete

21h40 – (Explosão de #censurados# ditos em série que mais fazia lembrar a declamação à desgarrada dos Lusíadas e da Mensagem…)

22h00 - …

22h15 – Ok, Estranho, mentaliza-te. Vais ter de formatar outra vez o computador. Já tens lá um vírus qualquer que não te deixa aceder à firewall, desliga-te a Internet e já tens estes belos popups de parceiros sexuais…

22h30 – Sim, eu já sei que já tenho uma cópia do Windows nesta partição…

22h35 – Formatar usando o sistema de pastas não sei quê (rápido)…

22h45 – Começa a instalação… (porque raio não pus logo no rápido, da primeira vez?!)

23h30 – Windows arranca. Não aguento mais! Vou pôr já as actualizações contra o Sasser e o Blaster e amanhã acabo tudo…

03h35 – Zzzzzzzzzzzz-PIPI PIPI!!! #censurado#

03h40 – (terceira e última resposta: “Olá! Sou eu que tenho o cd! Amanhã dou-to, ok?”)

03h41 – Grande filho da #censurado#...

03h42 – Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

20/07/2006

Oh pá, sinceramente não sei!

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Não sei! Não posso dizer mais nada que não seja não sei! Não sei se é um súbito ataque de adolescencite aguda ou se é pela proximidade dos 25 anos, o suposto pico sexual da vida, ou se são as hormonas que se lembraram de fazer um belo jogo de futebol de rua... NÃO SEI!
Mas tu, caro leitor ou leitora é que me podes ajudar! Aqui fica uma listinha de pessoas por quem dava um rim para ter o número de telefone, para me ajudarem neste meu problema:
Jessica Alba; Kirsten Dunst; Katie Melua; Holly Valance; Kate Beckinsale; Natalie Portman; Elisha Cuthbert; Benedita Pereira; Liliana Santos; Margarida Vila-Nova; Cláudia Borges; Cláudia Semedo.
Provavelmente, estou a esquecer-me de alguma, mas estas já davam jeito. A quem me conseguir arranjar estes números, dou um rim e ainda ofereço um dedo mindinho...

14/07/2006

a gerência lamenta informar que...

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Era uma vez um rapaz estranho. Ele tinha 2 anos, era alto e sonhava em voar, não num avião, mas com asas, asas feitas de seda branca. Na sua curta vida, viu e conheceu pessoas que o fizeram arregalar os olhos, outras que o fizeram chorar e outras ainda que lhe fizeram ferver o sangue. Chegou um dia em que, finalmente, lhe pareceu ter asas para voar. Pareceu-lhe que tinha encontrado umas asas que, mesmo sendo pequenas para ele, mesmo sendo algo desajeitadas e difíceis, seriam perfeitas para ser feliz, para voar…

Pena que, afinal, as asas não o tiraram do chão. Paciência, eu bem disse que não estava apaixonado!

12/07/2006

desejo

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Tocas-me a pele como um arrepio, ao de leve, eriçando-me os pelos de prazer e eu respondo, acariciando-te os seios com ternura. Prendo-te com os braços, num abraço forte de que não queres nem tentas fugir. Encosto o meu peito ao teu e deixo que os nossos mamilos se toquem, se beijem, se amem. Depois afasto-te um pouco de mim, segurando-te pelas costelas e afagando-te a barriga com os polegares, para que sintas que continuo a desejar-te. Olho-te, de alto a baixo. Estás nua, mas são os teus olhos que estão realmente nus, mais nus do que nós, mais nus do que qualquer outra pessoa no mundo que esteja a fazer amor neste momento. Estremeces, talvez de frio, talvez de uma súbita e ridícula vergonha, sentes-te nua, e é exactamente assim que te quero, porque eu também me sinto nu, e é exactamente assim que tu me queres. E agora agarras-me tu, com uma só mão agarras-me, todo, por completo, submetes-me à tua vontade num simples apertar de mão, cinco dedos que valem mais do que todos os meus músculos concentrados numa única acção. Não importa, o músculo que agarras neste momento não quer mais do que amar-te. Levanto-te pelas coxas como se não tivesses peso, para mim não tens peso, apenas o peso do amor e esse, agora, tem o peso de um pedaço de nuvem que desceu para nos refrescar a pele, para nos humedecer enquanto nos guiamos na direcção um do outro, enquanto nos fundimos, enquanto nos tornamos num só. E é nesse estado de fusão que nos sentimos como se nunca tivéssemos sido mais do que uma só pessoa, nem eu, nem tu, apenas nós, e beijamos e olhamos e sentimos e respiramos como um só, como sempre devia ter sido, como se fossemos realmente um só. Mas não interessa. Finalmente é. Finalmente somos. Um só.

10/07/2006

Ups...

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E não é que me esqueci do aniversário d'O Estranho?! Se calhar, é porque VOU TRADUZIR UM LIVRO!!! Também pode ser por achar que há uma certa pessoa que não me sai da cabeça, mas quase de certeza que é porque VOU TRADUZIR UM LIVRO!!! E vamos ser sinceros, entre uma possível paixão e o facto de que VOU TRADUZIR UM LIVRO(!!!), quem paga é blog...
Mas pronto, lembrei-me agora e com certeza que o autor do blog me perdoa, quem quer que ele seja... VOU TRADUZIR UM LIVRO!!! e quem sabe se não estou a apaixonar-me...

PS: como disse ontem a amigos, na minha opinião, que vale o que vale, a poesia em Portugal tem de ser dividida em dois grandes períodos: a fase pré-Floribella e a fase pós-Floribella. "Não tenho nada, mas tenho, tenho tudo!" Pá, simplesmente genial.

04/07/2006

Queen of Winter fairies

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Open your eyes, my darling,

And guide me in my path

Through the misty, dark road;

Spread your green windows,

Fill my soul of light and life,

I miss listening to the sound of

My own heart pounding,

Ramming against my chest,

Fighting to break free from

The chains it was locked in.

Come, my darling,

Though they say

Your heart is cold as Winter,

A spear of frigid, cold ice,

Come, my darling,

For I see the warmth in you,

Even if

That’s my jacket around your shoulders,

Protecting you

From the freezing wind blowing.

Look, at me, my darling,

As you never looked before,

See in my eyes that reflection that is you,

And though you may be the Queen of Winter fairies,

I was once Winter itself.

28/06/2006

Às vezes...

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Às vezes, mandamos o coração seguir numa direcção, apontamos-lhe o caminho, dizemos-lhe que é mais seguro e explicamos-lhe porquê. Às vezes, acordamos calmos, sossegados, o espírito leve, a consciência tranquila. Às vezes, passamos o dia a olhar para o céu, sentimos o cheiro de cada flor por que passamos, ouvimos todos os pássaros que voam lá no alto. Às vezes, deitamo-nos sem pressas na cama, fazemos amor durante horas, adormecemos ao menor toque com a almofada. Às vezes, somos felizes. Às vezes, o coração não obedece, prega-nos partidas. Às vezes, apetece-me fechar os olhos e esquecer-me de como se respira.

24/06/2006

The human and the beast

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I stand there, watching him lose control, and I do nothing to stop him. The violence he unleashes is his true nature, a wild, fearless animal, eager to destroy all in its path. And I do nothing to stop him. For years I chained him, prevented him from setting foot in this world, but now he stands before me, clearing a path of blood and carnage amidst a city of dreams and light and he is forcing me to watch, he will not allow my soul to rest. I am to blame for any death at his hands, for it was I who allowed him to live, even after hearing his roar, even after seeing his eyes, I still allowed him to live, and my hands have the blood of his victims and as I lick my fingers and taste the flavour of human blood, as I discover the sweet-bitter taste of human flesh, I feel more alive then any of us ever felt. I am happy, relieved that he got free, and so, I do nothing to stop him…

22/06/2006

diálogo sob a lua de Poe

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Ele abre a porta para a varanda do bar flutuante. A noite está fria, não tem o casaco vestido, mas apeteceu-lhe sair um pouco da multidão, da festa. Debruça-se sobre o corrimão, os olhos postos no rio, na outra margem, no horizonte onde brilha, ao longe, uma lua amarela, melancólica, daquelas que assombram os contos de Poe. Pousa a cerveja, pega no maço de cigarros e acende um. Enche os pulmões e suspende a respiração. Fica quieto, a olhar para o fumo que sobe do cigarro, a porta abre-se atrás de si. Expira, não se volta, reconhece o perfume...

Ela debruça-se também sobre o corrimão, quase encostada a ele.

- Começaste a fumar! – admira-se ela.

Ele puxa mais uma passa do cigarro, trava.

- Hum-um… – responde ele.

Calam-se.

- Está frio… – tenta ela.

- Hum-um… – responde ele.

Calam-se.

- Está tudo bem contigo? – tenta ela, mais uma vez.

- Hum-um… – responde ele, mais uma vez.

- Importas-te de me responder em vez de te fazeres de vítima?! – quase berra ela.

Ele vira-se, devagar, fita-a nos olhos – ela desvia o olhar –, puxa mais uma golfada de fumo, vira a cara para expirar e começa, calmamente:

- Eu não me estou a fazer de vítima. Nunca gostei de me fazer de vítima, tu sabes isso. Aliás, se houve alguma vítima no que nos aconteceu, foste tu. Fui eu que acabei, fui eu que me afastei, fui eu o culpado de não ter dado certo. Não me estou a fazer de vítima, só não sei o que dizer.

Calam-se.

- Ouve, – recomeça ele – eu lamento o que fiz. Passaste um mau bocado por minha causa. Mas aproveitaste bem demais o teu direito de me magoar. Nunca, por uma vez sequer, te traí, nem a tua amizade, nem o teu amor. Nunca, acredites ou não. É claro que olhava para outras mulheres, é claro que as desejava, mas nunca fiz o que quer que seja com essas mulheres. No final do dia, era contigo que eu estava, era contigo que confidenciava, era contigo que dormia. Estraguei tudo, ok, mas tu não tinhas o direito de me tratar como lixo, eu nunca te fiz isso, nem quando acabei tudo. Era isto que querias ouvir?

Ele coça a barba, ela afaga os braços, arrepiados. Ele espreita para dentro do bar, abana a cabeça.

- Sempre achei que ias acabar por ficar com um idiota, um parvalhão, e aquele cretino que está lá dentro, meio bêbedo, a atirar-se à nossa amiga, a tua grande amiga – lembras-te? – prova que tinha razão…

Dá uma última passa, atira a ponta para o rio, pega na cerveja e vira-se, na direcção da porta.

- Tenho pena de ti. – começa ele.

- Não preciso que tenh-

- Pára! Pára, eu reformulo. Lamento. Lamento o teu azar com os homens. Só te calham idiotas. E lamento também que isso te tenha tornado numa cabra…

Ele abre a porta, volta à festa.

Ela fica sozinha, debaixo de uma lua que, mal sabe ela, pertence a Poe...

19/06/2006

O dragão do fundo do lago

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Há uma montanha de pedra e neve perdida no mundo. No meio dessa montanha, escondido por entre árvores gigantes que tocam o céu, há um lago de águas quentes. A água deste lago é escura, lamacenta. Segundo a lenda, há um dragão adormecido no fundo, repousando, à espera de ocupar o seu lugar no mundo. O seu aspecto feroz desvanece-se perante a doçura do seu olhar, a dureza das suas escamas é ignorada pela delicadeza dos seus gestos, a sua força destrutiva assombrada pela melancolia do seu rugido. O dragão dorme, quase desde o princípio dos tempos, à espera, sempre à espera, sonhando com um mundo para o qual poderá despertar e voar, livre, sobre a terra, mostrando a sua cor, o seu brilho, o seu porte altivo, o orgulho próprio de uma criatura, de um ser único, único como uma estrela.

09/06/2006

And then there was none

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The room, dark, empty, cold, the film begins, eyes set forward, the screen, the road, deserted, long, straight, speeding up, 2nd, 3rd, 4th, 5th shift, 150 km per hour, 2 characters, 1 in fact, 2 souls born to the same flesh, a struggle, for power, for control, for the right to exist, a curve, 100 km per hour, windshield barely reflecting the full moon, a couple, an argument, 5 meters between them, he takes the lead, she stays behind, a car approaching, to kill takes less time then writing these lines, to die takes less time then writing these lines, a pain, the arm, the heart, the coma, no one around to help, no one in sight, the final curve, home just up ahead, the speed, the loss of control, the crash, and then there was none.

07/06/2006

Charada

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Ninguém sabe aquilo que vê,
Quando se olha ao espelho,
Não é a imagem do ser,
É o reflexo do espelho.

Almas fictícias II - Tom Welles, de 8 mm

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Esta rapariga que estou à procura é só mais um nome. Uma miúda que talvez tenha sido morta por causa de um filme. A fita foi encontrada no cofre de um ricaço que morreu há pouco. A viúva quer saber o que aconteceu. Talvez receie chantagem, talvez seja peso na consciência por viver num palácio enquanto outros cá fora têm de sofrer para viver. Na verdade, isso não me interessa. Pagam-me para seguir ou encontrar pessoas, é isso que faço, sem perguntas e muito menos respostas.

(…)

Mary Ann Mathews. É o nome dela. Visitei a mãe há pouco, uma quarentona solitária à espera que lhe salte para cima e a faça esquecer, por uma hora que seja, a porcaria do mundo em que vive. Estou de saída…

(…)

Hollywood é uma cidade suja, horrível. Aspirantes a actores em todo o lado, homens e mulheres, não, rapazes e raparigas, crianças que sonham em vez de viver. À noite percorrem os passeios a vender o corpo. Não estou interessado, procuro uma rapariga, mas sou eu quem recebe dinheiro se a encontrar… Isto é inútil!

(…)

Uma pista, finalmente. Filmes snuff. Filmes pornográficos do mais hardcore. Geralmente, a vítima é violada e assassinada. Geralmente, ficção. Não é o caso da Mary Ann. Quanto mais vejo a fita, mais acredito que é real. Um homem, gordo e grande, esfaqueia-a a sangue frio. Depois viola-a. Tudo em grande plano. Ele tem uma máscara de couro, como a dos sadomasoquistas. Descobri uma silhueta a um canto; um voyeur assistiu a tudo… O Max, um tipo habituado a lidar com o submundo de Hollywood e que me tem ajudado – pelo preço certo, é claro - , disse-me uma coisa engraçada. Como era? Ah sim, “quando danças com o diabo, o diabo não muda, o diabo muda-te a ti”. Percebo o que ele quer dizer. Já há algum tempo que não me incomodam as merdas que temos visto, filmes com tortura de mulheres, sexo com animais, coisas muito além do suportável. Pornografia infantil é do mais leve...

(…)

Já há muito tempo que não ligo à Amy…

(…)

Tudo aponta para Nova Iorque. Um tipo qualquer que se considera um deus do cinema hardcore. Aliás, o bondage, o sadomasoquismo, é tudo brincadeira de crianças para ele. Diz-se que, pelo preço certo, ele filma qualquer coisa, e o assassínio de uma gaja… é qualquer coisa. Um amigo do Max arranjou-nos um encontro com o tipo e o cheiro a dinheiro convenceu-o a aceitar filmar para mim. Só pus duas condições: ele deixa-me ver e o tipo gordo da máscara – figura fetiche dos filmes dele – tem de entrar. Descubro que o gajo se chama Machine. Giro. Pelos vistos, a Mary Ann não foi a primeira. Nem a última...

(…)

Merda! Fui descoberto! Avisei o Max para voltar para Hollywood, mas agora é tarde demais! Tenho de fugir! Sem olhar para trás. Sem pensar no que aconteceu naquele armazém. O guru dos snuffs está morto. Um acidente oportuno.

O voyeur daqui a pouco vai segui-lo, eu certifico-me disso…

(…)

A viúva pediu-me para ir a casa dela depois de lhe contar tudo por telefone. Foi o marido que encomendou o filme. Já calculava isto, só ainda não sabia porquê. Agora está tudo claro. Sou recebido pelo mordomo. A cabra matou-se! Deixou-me um bilhete, a dizer que os esquecesse, e dinheiro. A minha família está a salvo. Tenho de encontrar o Machine antes que ele me encontre a mim

(…)

Matei-o. À porta de casa dele, ou melhor da mãe dele. Ele não era nenhum monstro por baixo da máscara, não era a vítima de uma família disfuncional, não tinha sido violado em criança, como estava à espera. Era só um tal de George. Um tipo igual a tantos outros, miúpe, peso a mais, queda de cabelo… Vi muitos como ele, quando trabalhava no escritório…

26/05/2006

Gaita, pá, isto assim não dá!

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Portanto, estava eu descansadinho, a conversar msn-amente com um amigo, a relaxar depois de uma semana de tradução intensiva e a pensar que ia poder estar porreirinho da vida por uns dias, quando ele se sai com uma notícia no mínimo preocupante. Podem ler tudo aqui www.savelivesinmay.com , mas basicamente um tipo qualquer previu um maremoto com ondas de 200 metros no oceano Atlântico para o dia... 25 de Maio de 2006... Mas calem-se os risos descrentes, há janela de 48 horas para que o cataclismo aconteça (o que é absolutamente normal, porque esta coisa de prever catástrofes não é tarefa fácil e muito menos exacta).
Muito bem, caros leitores, preparem-se, corram para as colinas (numa adaptação fácil de "run for the hills!") ou escondam-se debaixo de uma mesa, o grande tsunami de 25 de Maio de 2006 vem aí - com uma janela de 48 horas...
PS: bolas! logo agora que fiquei cheio de curiosidade em saber como é que alguém pode ter olhos amarelos!

10/05/2006

A Vida dos Bonecos - fim

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Passaram-se anos. Muitos e longos anos. A cidade foi-se alterando, alargando-se e tornando-se mais suja, mas isso aconteceu longe dali. À volta do sítio onde uma pequena gota caíra e onde agora se erguia, imponente, uma macieira, foram construídas casas. A rua estava repleta de meninos que brincavam e corriam e gritavam. Mas havia uma menina que preferia ficar longe da confusão. Ficava no seu quarto, com vista para a imponente macieira, a recortar revistas e jornais para fazer bonecos. Tinha-os às dezenas, de todos os tamanhos e feitios, de todas as cores, bonecos que pareciam pessoas, bonecos que pareciam animais, bonecos que se espalhavam por todo o lado, em cima da cama, no chão, junto à janela, bonecos que fazia todos os dias quando chegava da escola e depois pedia ao pai para queimar, para que pudessem voar transformados em fumo para onde lhes apetecesse, bonecos que criava e que adorava tanto que não podia deixá-los a ganhar pó, esquecidos a um canto. Não, eles tinham de ser livres para poderem ver o mundo. A menina sentia-se feliz assim, sentia que criava algo maravilhoso, pois quase dava vida aos bonecos. Todos os dias cumpria o mesmo ritual: chegava vinda da escola, recortava o máximo de bonecos que conseguia até o pai chegar a casa, corria a abraçá-lo, iam os dois para as traseiras da casa e comiam uma maçã, enquanto viam os bonecos iniciarem a sua viagem em fumo…

Nenhum dos dois o admitia, mas ambos sentiam que a macieira se movia de forma estranha, nesta altura… Quase como se dançasse... Quase como se estivesse feliz...

05/05/2006

Esta é...

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...provavelmente a fotografia mais bonita que já vi da Isabel Figueira...

04/05/2006

A Vida dos Bonecos - parte 5

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Estava misturado com o fumo da lenha que ardera ao mesmo tempo que ele, de tal modo que era impossível distinguir que fumo era seu e que fumo era da lenha. Mas, subitamente, apercebeu-se de que começava a misturar-se com um fumo que nunca tinha visto, um fumo molhado, cinzento como ele agora era, mas mais limpo, fresco e dinâmico. O vento empurrava agora os três, o boneco, a lenha e este fumo desconhecido. Deslocaram-se durante horas, não sabendo sequer para onde se dirigiam, mas não tinham outro remédio. O dia acabou por nascer e foi a visão mais fascinante que o boneco teve em toda a sua vida. Estava escuro, uma imensa nuvem espalhava-se por todo o céu e tornava a cidade diante dele melancólica e soturna, mas ainda assim era maravilhoso. Finalmente via o mundo exterior. Finalmente via tudo o que estava para lá das quatro paredes que sempre o haviam prendido. Finalmente sentia-se livre, sentia-se mais do que um simples boneco de papel, incapaz de movimentos. Sentia vontade de chorar, mas já nem olhos desenhados tinha. Era apenas uma grande nuvem escura que, de vez em quando, se iluminava e emitia barulhos assustadores. Maravilhava-se com tudo aquilo que via, de tal modo que nem se apercebeu quando o seu corpo agora líquido se começou a precipitar em direcção ao solo. Já ia a meio da queda quando se apercebeu de que se separara do resto da nuvem. Passara por outra transformação; era agora uma série de gotas transparentes que caíam a uma velocidade cada vez maior em direcção à cidade que ainda há pouco o fascinara. Atingiu o chão. As gotas espalharam-se por todo o lado e voltava a sentir a mesma impotência de quando era feito de papel. Não conseguia fazer mais nada a não ser enterrar-se cada vez mais fundo na terra transformada em lama. Tivera um vislumbre do mundo exterior e agora voltava a perdê-lo.

Já quase se resignara à ideia de que não sairia dali quando chocou com um objecto estranho. Tinha o formato de uma pequena gota de água, como ele, mas era duro, castanho-escuro. Sentiu que, à medida que lhe tocava, se conseguia fundir com aquele objecto. Ao fim de alguns minutos, já penetrara completamente na sua nova casa e sentia-se, mais uma vez, a mudar. Mas esta nova transformação era diferente de todas as outras. Sentia-se crescer, a ganhar braços que se espalhavam pela terra e que tentavam subir, como que à procura de algo.

27/04/2006

A Vida dos Bonecos - parte 4

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Gritaria, se tivesse boca. Gritaria para que todos pudessem ouvir a sua dor, apesar de não sentir sequer o calor das chamas. A sua existência chegava agora ao fim. Pouco vira deste mundo. O pó que o cobriu durante anos. Paredes. Escadas. Algumas pessoas. O fogo. Pouco se lembrava do Criador. Quem o criou, não demorou mais de sete dias a perder o entusiasmo, depois de devidamente cortado e pintado, e, ao sétimo dia, trocou-o por um boneco de plástico articulado com acessórios. Afinal de contas, era só um bocado de papel, mal dava para brincar com ele. Não sentia raiva pelo Criador, felizmente também não tivera tido tempo de se afeiçoar a ele. Mas havia algo de que agora se lembrava. A macieira, a árvore imponente que durante toda a sua vida o acompanhara. Lembrava-se de todas as maçãs que vira tombar, de cada folha, de cada ramo. Sabia com exactidão onde e quando a macieira espalhava a sua sombra pelo quarto. Decorara todos os movimentos provocados pelo vento. Chorara com cada poda e com cada sopro de Outono que a despia aos poucos. Suspirara de cada vez que a janela era fechada e enervara-se com cada atraso na reabertura. Invejara cada gotícula de orvalho que ousara pousar nas folhas da árvore que era o único contacto que tivera tido com o mundo exterior. Tudo isso eram agora memórias, não mais teria o prazer de sonhar em abraçar aquela árvore, de sentir o cheiro da casca e das folhas e de provar os seus frutos redondos e fascinantes.

As pernas ardiam, o tronco começava a assumir uma cor acastanhada, em breve deixaria de conseguir ver e assim terminaria a sua existência contemplativa. O fim chegara. Já não era mais do que um pequeno montículo de fuligem e uma indistinta nuvem de fumo. Precipitava-se pela chaminé escura, suja e a malcheirosa. Mais uma vez, era incapaz de controlar a sua substância, mas isso agora não tinha qualquer importância. Misturou-se com o fumo da lenha e prosseguiu a sua subida lenta, na direcção de pequenas luzes que pareciam cintilar lá muito ao longe. De repente, sentiu-se empurrado para o lado. Saíra da chaminé, mas a noite não o deixava ver o que quer que fosse, a não ser as tais luzes longínquas. Continuava a subir em direcção a elas, cada vez mais alto, sem parar, sempre, sempre a subir, enquanto era empurrado pelo vento. Achou estranho que, por muito que subisse, as luzes não parecessem ficar mais próximas, mas achou ainda mais estranho o que se passou a seguir.