Charada
Ninguém sabe aquilo que vê,
Quando se olha ao espelho,
Não é a imagem do ser,
É o reflexo do espelho.
Ninguém sabe aquilo que vê,
Quando se olha ao espelho,
Não é a imagem do ser,
É o reflexo do espelho.
Esta rapariga que estou à procura é só mais um nome. Uma miúda que talvez tenha sido morta por causa de um filme. A fita foi encontrada no cofre de um ricaço que morreu há pouco. A viúva quer saber o que aconteceu. Talvez receie chantagem, talvez seja peso na consciência por viver num palácio enquanto outros cá fora têm de sofrer para viver. Na verdade, isso não me interessa. Pagam-me para seguir ou encontrar pessoas, é isso que faço, sem perguntas e muito menos respostas.
(…)
Mary Ann Mathews. É o nome dela. Visitei a mãe há pouco, uma quarentona solitária à espera que lhe salte para cima e a faça esquecer, por uma hora que seja, a porcaria do mundo em que vive. Estou de saída…
(…)
Hollywood é uma cidade suja, horrível. Aspirantes a actores em todo o lado, homens e mulheres, não, rapazes e raparigas, crianças que sonham em vez de viver. À noite percorrem os passeios a vender o corpo. Não estou interessado, procuro uma rapariga, mas sou eu quem recebe dinheiro se a encontrar… Isto é inútil!
(…)
Uma pista, finalmente. Filmes snuff. Filmes pornográficos do mais hardcore. Geralmente, a vítima é violada e assassinada. Geralmente, ficção. Não é o caso da Mary Ann. Quanto mais vejo a fita, mais acredito que é real. Um homem, gordo e grande, esfaqueia-a a sangue frio. Depois viola-a. Tudo em grande plano. Ele tem uma máscara de couro, como a dos sadomasoquistas. Descobri uma silhueta a um canto; um voyeur assistiu a tudo… O Max, um tipo habituado a lidar com o submundo de Hollywood e que me tem ajudado – pelo preço certo, é claro - , disse-me uma coisa engraçada. Como era? Ah sim, “quando danças com o diabo, o diabo não muda, o diabo muda-te a ti”. Percebo o que ele quer dizer. Já há algum tempo que não me incomodam as merdas que temos visto, filmes com tortura de mulheres, sexo com animais, coisas muito além do suportável. Pornografia infantil é do mais leve...
(…)
Já há muito tempo que não ligo à Amy…
(…)
Tudo aponta para Nova Iorque. Um tipo qualquer que se considera um deus do cinema hardcore. Aliás, o bondage, o sadomasoquismo, é tudo brincadeira de crianças para ele. Diz-se que, pelo preço certo, ele filma qualquer coisa, e o assassínio de uma gaja… é qualquer coisa. Um amigo do Max arranjou-nos um encontro com o tipo e o cheiro a dinheiro convenceu-o a aceitar filmar para mim. Só pus duas condições: ele deixa-me ver e o tipo gordo da máscara – figura fetiche dos filmes dele – tem de entrar. Descubro que o gajo se chama Machine. Giro. Pelos vistos, a Mary Ann não foi a primeira. Nem a última...
(…)
Merda! Fui descoberto! Avisei o Max para voltar para Hollywood, mas agora é tarde demais! Tenho de fugir! Sem olhar para trás. Sem pensar no que aconteceu naquele armazém. O guru dos snuffs está morto. Um acidente oportuno.
O voyeur daqui a pouco vai segui-lo, eu certifico-me disso…
(…)
A viúva pediu-me para ir a casa dela depois de lhe contar tudo por telefone. Foi o marido que encomendou o filme. Já calculava isto, só ainda não sabia porquê. Agora está tudo claro. Sou recebido pelo mordomo. A cabra matou-se! Deixou-me um bilhete, a dizer que os esquecesse, e dinheiro. A minha família está a salvo. Tenho de encontrar o Machine antes que ele me encontre a mim
(…)
Matei-o. À porta de casa dele, ou melhor da mãe dele. Ele não era nenhum monstro por baixo da máscara, não era a vítima de uma família disfuncional, não tinha sido violado em criança, como estava à espera. Era só um tal de George. Um tipo igual a tantos outros, miúpe, peso a mais, queda de cabelo… Vi muitos como ele, quando trabalhava no escritório…
Portanto, estava eu descansadinho, a conversar msn-amente com um amigo, a relaxar depois de uma semana de tradução intensiva e a pensar que ia poder estar porreirinho da vida por uns dias, quando ele se sai com uma notícia no mínimo preocupante. Podem ler tudo aqui www.savelivesinmay.com , mas basicamente um tipo qualquer previu um maremoto com ondas de 200 metros no oceano Atlântico para o dia... 25 de Maio de 2006... Mas calem-se os risos descrentes, há janela de 48 horas para que o cataclismo aconteça (o que é absolutamente normal, porque esta coisa de prever catástrofes não é tarefa fácil e muito menos exacta).
Muito bem, caros leitores, preparem-se, corram para as colinas (numa adaptação fácil de "run for the hills!") ou escondam-se debaixo de uma mesa, o grande tsunami de 25 de Maio de 2006 vem aí - com uma janela de 48 horas...
PS: bolas! logo agora que fiquei cheio de curiosidade em saber como é que alguém pode ter olhos amarelos!
Passaram-se anos. Muitos e longos anos. A cidade foi-se alterando, alargando-se e tornando-se mais suja, mas isso aconteceu longe dali. À volta do sítio onde uma pequena gota caíra e onde agora se erguia, imponente, uma macieira, foram construídas casas. A rua estava repleta de meninos que brincavam e corriam e gritavam. Mas havia uma menina que preferia ficar longe da confusão. Ficava no seu quarto, com vista para a imponente macieira, a recortar revistas e jornais para fazer bonecos. Tinha-os às dezenas, de todos os tamanhos e feitios, de todas as cores, bonecos que pareciam pessoas, bonecos que pareciam animais, bonecos que se espalhavam por todo o lado, em cima da cama, no chão, junto à janela, bonecos que fazia todos os dias quando chegava da escola e depois pedia ao pai para queimar, para que pudessem voar transformados em fumo para onde lhes apetecesse, bonecos que criava e que adorava tanto que não podia deixá-los a ganhar pó, esquecidos a um canto. Não, eles tinham de ser livres para poderem ver o mundo. A menina sentia-se feliz assim, sentia que criava algo maravilhoso, pois quase dava vida aos bonecos. Todos os dias cumpria o mesmo ritual: chegava vinda da escola, recortava o máximo de bonecos que conseguia até o pai chegar a casa, corria a abraçá-lo, iam os dois para as traseiras da casa e comiam uma maçã, enquanto viam os bonecos iniciarem a sua viagem em fumo…
Nenhum dos dois o admitia, mas ambos sentiam que a macieira se movia de forma estranha, nesta altura… Quase como se dançasse... Quase como se estivesse feliz...
Estava misturado com o fumo da lenha que ardera ao mesmo tempo que ele, de tal modo que era impossível distinguir que fumo era seu e que fumo era da lenha. Mas, subitamente, apercebeu-se de que começava a misturar-se com um fumo que nunca tinha visto, um fumo molhado, cinzento como ele agora era, mas mais limpo, fresco e dinâmico. O vento empurrava agora os três, o boneco, a lenha e este fumo desconhecido. Deslocaram-se durante horas, não sabendo sequer para onde se dirigiam, mas não tinham outro remédio. O dia acabou por nascer e foi a visão mais fascinante que o boneco teve em toda a sua vida. Estava escuro, uma imensa nuvem espalhava-se por todo o céu e tornava a cidade diante dele melancólica e soturna, mas ainda assim era maravilhoso. Finalmente via o mundo exterior. Finalmente via tudo o que estava para lá das quatro paredes que sempre o haviam prendido. Finalmente sentia-se livre, sentia-se mais do que um simples boneco de papel, incapaz de movimentos. Sentia vontade de chorar, mas já nem olhos desenhados tinha. Era apenas uma grande nuvem escura que, de vez em quando, se iluminava e emitia barulhos assustadores. Maravilhava-se com tudo aquilo que via, de tal modo que nem se apercebeu quando o seu corpo agora líquido se começou a precipitar em direcção ao solo. Já ia a meio da queda quando se apercebeu de que se separara do resto da nuvem. Passara por outra transformação; era agora uma série de gotas transparentes que caíam a uma velocidade cada vez maior em direcção à cidade que ainda há pouco o fascinara. Atingiu o chão. As gotas espalharam-se por todo o lado e voltava a sentir a mesma impotência de quando era feito de papel. Não conseguia fazer mais nada a não ser enterrar-se cada vez mais fundo na terra transformada em lama. Tivera um vislumbre do mundo exterior e agora voltava a perdê-lo.
Já quase se resignara à ideia de que não sairia dali quando chocou com um objecto estranho. Tinha o formato de uma pequena gota de água, como ele, mas era duro, castanho-escuro. Sentiu que, à medida que lhe tocava, se conseguia fundir com aquele objecto. Ao fim de alguns minutos, já penetrara completamente na sua nova casa e sentia-se, mais uma vez, a mudar. Mas esta nova transformação era diferente de todas as outras. Sentia-se crescer, a ganhar braços que se espalhavam pela terra e que tentavam subir, como que à procura de algo.
Gritaria, se tivesse boca. Gritaria para que todos pudessem ouvir a sua dor, apesar de não sentir sequer o calor das chamas. A sua existência chegava agora ao fim. Pouco vira deste mundo. O pó que o cobriu durante anos. Paredes. Escadas. Algumas pessoas. O fogo. Pouco se lembrava do Criador. Quem o criou, não demorou mais de sete dias a perder o entusiasmo, depois de devidamente cortado e pintado, e, ao sétimo dia, trocou-o por um boneco de plástico articulado com acessórios. Afinal de contas, era só um bocado de papel, mal dava para brincar com ele. Não sentia raiva pelo Criador, felizmente também não tivera tido tempo de se afeiçoar a ele. Mas havia algo de que agora se lembrava. A macieira, a árvore imponente que durante toda a sua vida o acompanhara. Lembrava-se de todas as maçãs que vira tombar, de cada folha, de cada ramo. Sabia com exactidão onde e quando a macieira espalhava a sua sombra pelo quarto. Decorara todos os movimentos provocados pelo vento. Chorara com cada poda e com cada sopro de Outono que a despia aos poucos. Suspirara de cada vez que a janela era fechada e enervara-se com cada atraso na reabertura. Invejara cada gotícula de orvalho que ousara pousar nas folhas da árvore que era o único contacto que tivera tido com o mundo exterior. Tudo isso eram agora memórias, não mais teria o prazer de sonhar em abraçar aquela árvore, de sentir o cheiro da casca e das folhas e de provar os seus frutos redondos e fascinantes.
As pernas ardiam, o tronco começava a assumir uma cor acastanhada, em breve deixaria de conseguir ver e assim terminaria a sua existência contemplativa. O fim chegara. Já não era mais do que um pequeno montículo de fuligem e uma indistinta nuvem de fumo. Precipitava-se pela chaminé escura, suja e a malcheirosa. Mais uma vez, era incapaz de controlar a sua substância, mas isso agora não tinha qualquer importância. Misturou-se com o fumo da lenha e prosseguiu a sua subida lenta, na direcção de pequenas luzes que pareciam cintilar lá muito ao longe. De repente, sentiu-se empurrado para o lado. Saíra da chaminé, mas a noite não o deixava ver o que quer que fosse, a não ser as tais luzes longínquas. Continuava a subir em direcção a elas, cada vez mais alto, sem parar, sempre, sempre a subir, enquanto era empurrado pelo vento. Achou estranho que, por muito que subisse, as luzes não parecessem ficar mais próximas, mas achou ainda mais estranho o que se passou a seguir.
Com um clique, uma porta abriu-se e entraram três pessoas. A pessoa mais pequena já lhe era familiar, mas as outras, uma de cabelos compridos e outra com cabelos na cara, não se lembrava de já as ter visto. O Criador, a mais pequena, correu na direcção de um quadrado de vidro que lhe parecia uma janela estranha, carregou num botão e sentou-se mesmo em frente quando, de repente, apareceram outras pessoas, mais pequenas, do outro lado da janela estranha. A pessoa de cabelos compridos desapareceu por uma porta e a de cabelos na cara dirigiu-se para um buraco na parede que tinha um pó cinzento que nunca tinha visto antes, pegou numa série de galhos e num quadrado castanho e aproximou um galho mais pequeno que tinha uma luz avermelhada estranha na ponta. De imediato, o quadrado castanho ficou com a mesma luz avermelhada e, pouco depois, também os galhos reluziam com a luz avermelhada. Toda aquela luz espantou o boneco, de tal maneira que nem se apercebeu quando a pessoa de cabelos na cara se afastou do buraco na parede, vindo na sua direcção. Nem sequer se preocupou quando a pessoa se deteve diante dele e, franzindo um sobrolho, pegou nele, estendeu-o na direcção do Criador e lhe disse qualquer coisa que não percebia, mas via que o Criador acenava com a cabeça como que a dizer que não. Nesse momento, foi amachucado com uma só mão, como se a sua vida de nada valesse, e atirado na direcção da luz avermelhada…
O vento sopra, pela janela, e a minha pele arrepia-se. Não me traz risos distantes, como pedi há uns tempos, via e-mail – sim, eu sei que já respondeste, é só para me situar. Não, traz-me só arrepios e o som da chuva, que, agora sim, ouço bem. Tenho um novo amigo entre os vultos, essas figuras de efeitos de luz e de sombra e talvez algo mais que poderá ou não estar só na minha cabeça, tenho uma lágrima no olho e não me apetece agora essas discussões. Este novo amigo é pequeno, aparece junto ao chão, e vem quase sempre do mesmo lado, da direcção da porta. Tem duas saliências em forma de V invertido na cabeça e é esguio e eu juro que consigo vê-lo distintamente pelo canto do olho e sei quem é. O meu coração dispara nessas alturas. Viro a cabeça depressa na ânsia de lhe ver as patitas, finas e rápidas, mas não está lá nada. Por vezes, quando estou em frente ao computador, levanto um braço e digo "anda", à espera de ouvir miar como resposta, mas o vulto desaparece, em vez de me saltar para o colo, e é nessas alturas que me lembro… Não quero saber se acreditam ou não, pouco me interessa que se riam ou que fiquem a pensar em mim como se fosse maluco. Eu vejo vultos. E agora vejo o vulto de um gato. Ou melhor, de uma gata.
- Anda…
Vá, para agradar a quem andava INCESSANTEMENTE a dizer que devia mudar o template, cá está o novo O Estranho.
Claro que, para satisfazer a vontade a quem dizia INCESSANTEMENTE que devia manter o template (a minha consciência incluída), está praticamente tudo igual...
;)
Ouvira, em tempos, alguém ler uma história acerca de um boneco de madeira que se tinha tornado num rapaz de verdade, mas isso parecia-lhe impossível. Pior do que isso, ainda que fosse possível, ele era feito de papel! Seria sorte a mais que isso acontecesse a dois bonecos tão diferentes. Ainda assim sonhava com o movimento. Via vida lá fora, onde as andorinhas cantavam e o vento soprava. De cada vez que uma maçã caía, madura demais para suportar o próprio peso, tentava esticar um braço para a apanhar, mas... era inútil. Nessas alturas, a única coisa que o alegrava era o facto de não conseguir chorar. Isso arruinar-lhe-ia o corpo!
Um dia, o abrir de uma porta criou uma lufada de ar que o atirou da prateleira em que estava esquecido. Sobressaltado, com o coração aos pulos – se o tivesse – , viu-se a pairar na direcção de uma porta que nunca antes vira que dava acesso a umas escadas com que nunca antes sonhara que desciam para uma sala que nunca antes imaginara que existia. Aterrou no último degrau, mesma na borda quase, quase a cair. Era um mundo completamente novo este agora diante dele e desejou ter pálpebras para arregalar. Ali ficou uma tarde, sem ter qualquer noção do tempo a passar, faltava-lhe a sombra da macieira para saber que o dia se aproximava do fim.
(Fartei-me de esperar "aprovação", por isso começo a publicar... O parágrafo que se segue é de exclusiva responsabilidade de .J. e serviu de mote ao conto que seguirá em posts futuros - só para dar tempo a um hipotético berro de "Não publiques já!!!")
O dia cheirava a terra molhada e fruta fresca. O vento estava impregnado de calor e nele brincavam as primeiras andorinhas do ano. Era o início da Primavera, mas ele não sabia disso. Do sítio em que se encontrava via apenas o céu, o sol e uma macieira. Das duas certezas que tinha uma era que da cinta para baixo estava cheio de pó, embora todo o seu corpo estivesse coberto por uma mancha cinzenta. Uma sombra da árvore, que, diariamente, entrava pelo vidro da janela e lhe tocava ao de leve. Uma coisa sem importância se fosse outra pessoa a estar na sua pele. Mas era só ele que ali estava e já há muitos anos que não saía dali. Além disso, o seu Criador não lhe tinha concedido a graça de ter pele e ossos. Por isso, a outra certeza que ele tinha era a de que não passava de um boneco de papel, com vontades aparentemente absurdas. Por exemplo, poder esticar as pernas, sacudir o pó e comer uma maçã.
(...)
PS: Obrigado pelos comentários do post anterior. Abraços e beijinhos a todos, até para o Brasil, que não sabia minimamente o que havia de dizer...
A Fofinha era branca. Uma gata que, logo à primeira vista, se percebia ser muito dona do seu nariz. Brincava quando queria, com quem queria e como queria. Foi a senhora da casa durante 13 anos (ou talvez mais. Confesso que já não me lembro da minha idade quando a raptámos da mãe) e conheceu, ao longo da vida e à medida que eles se “sucediam”, 2 cães do tamanho dela, 1 ligeiramente maior e 1 serra da estrela bebé que já era do tamanho dela (este último da minha irmã). Bateu e arranhou todos! O Puki (o ligeiramente maior) sangrou da primeira vez que se viram, mas entrou em depressão quando tivemos de a levar ao veterinário para ser abatida.
A 26 de Novembro de 2003, escrevi um texto chamado “Adeus” que só seria “publicado” a 31 de Agosto de 2004, neste blog. Era de noite, já muito tarde e lembro-me de, na manhã seguinte, ter ido para a faculdade, com o peso do mundo nos ombros e o gelo dos pólos no coração. O Faísca, para quem se destinava o “Adeus”, tinha morrido, não chegando sequer ao primeiro aniversário. “Faísca” era um nome perfeito para ele, riscas cinzentas e um feitio arisco indomável. Atravessou a rua sem olhar. O Puki foi o primeiro a aperceber-se do berro do amigo e quase não nos deixava abrir o portão. Tive de o arrastar para a berma, enquanto ele me morria nas mãos.
Há um mês, o Matias, o gato da vizinha e melhor amigo da Pantufa, foi atropelado à porta de casa. A minha vizinha, por entres vómitos de choque e lágrimas de tristeza, pediu-me para ir ver se era mesmo ele e para o tirar da estrada. Era ele.
A Pantufa era preta (e branca por baixo). Encontrei-a hoje, estendida num caminho nas traseiras da minha casa. Também não chegou a fazer um ano de vida. Era meiga (apesar de vadia! Adorava passar o dia fora de casa.), miava muito e saltava para o colo de toda a gente, mesmo que não conhecesse. Encontrei-a já fria e dura, com moscas a rodeá-la, mas sei que morreu esta manhã, depois de, provavelmente, ter comido o que não devia: o Puki não se calava, encostado ao muro, a ladrar na direcção da amiga. Sentei-me em frente a ela, as mãos na cabeça, sem saber o que fazer nem o que dizer à minha mãe. Peguei nela e embrulhei-a num pano que a minha mãe me estendeu.
I see them clearly, though they are not there,
My dear shadow friends
Who are always there.
They bend over my shoulder,
Some smirking, other watching,
Reminding me they are there,
Showing they are beside me,
Taunting with my mind,
Testing my soul.
I turn my head quickly,
Oh, how often I do this,
Hoping to catch a glimpse
Of someone who is not there,
Only to see they moved to the other side,
From left to right and right to left,
Always eluding, always there.
Come, dear shadow friend,
The night is young and so are we,
There’s lots of time to play,
To have fun with this game of ours,
Our unique hide and seek,
You will hide and I will seek
And rest assure, for I will never find you.
Or will I? …
Luz mexe-se, arrastando-se pelo chão enquanto Trevas observa. – “Duas almas nasceram como uma só” – Luz levanta o rosto quando sente que Trevas lhe estende a mão. Os dedos de ambos tocam-se, como se fossem um só, os mesmos dedos, a mesma pele, a mesma carne. – “O Destino de ambas, unido pela carne” – Luz ergue-se e os seus olhos irradiam alegria, agradecimento. – “Uma caminha na Luz e à Fortuna agradece” – Trevas não reage, os seus olhos mostram apenas fúria de vencer. “A outra cavalga nas Trevas e nada teme” – À volta de ambos, espalham-se centenas de pessoas, divididas em duas facções. – “Uma terá ajuda com um sorriso, A outra comandará exércitos com o olhar” – Os dois olham-se, intensamente, depois viram-se e observam o horizonte. – “O mesmo destino espera as duas” – Olham-se novamente, como um espelho que reflecte a visão. Aproximam as cabeças. O espelho parte-se. – “E, por ele, se destruirão.”
Muito bem, cá vão as minhas manias:
Tenha a mania de:
> demorar a escrever/ responder no blog (clara provocação à polegar... ;P )
> arregalar os olhos e dizer "Pois, é isso!" quando me dizem alguma coisa com que concordo
> passar horas a ouvir os outros, mas depois não dar conselhos porque sei que não sou eu que sofro as consequências na pele (vá, tento dizer quais as possibilidades e consequências, já não é mau!)
> não falar de mim e ser evasivo quando me fazem perguntas muito pessoais
> que sou cinéfilo e a verdade é que não percebo nada de cinema e até já me apanhei a ver um filme do steven segal (sniff, sniff, é triste, mas é verdade..)
> remoer sobre disparates que fiz mesmo que tenham passado anos desde que as fiz
> rematar com toda a força como se não houvesse amanhã quando devia tentar colocar a bola no poste mais distante
> carregar no play, ouvir a primeira música e nas seguintes já a minha cabeça percorreu sei lá quantas histórias e aventuras
> ficar a olhar para a Josie Maran
> ficar com gases quando como feijoada
> achar que a Josie Maran até ficava bem-servida comigo
> achar que sou bom tipo
> achar que sou um idiota
> breasts
> deixar que o Jeff do "Coupling" invada esta coisa das manias
> achar que se as pessoas me conhecerem bem, vão achar-me desinteressante, por isso crio "gomos" da minha vida
> ver vultos
> achar que tenho muitas manias quando na verdade até sou um tipo bastante simples
> achar que estou a chatear as pessoas por isso vou parar por aqui...
Próximas vítimas: Damon do Staring, .Joana. e Brasil do Borras, Nenuco (que está obrigada a participar a escrever 5 manias nos comentários!) e, olhem qualquer um que cá venha e queira publicidade para o seu próprio blog! E o Xôr n. do modern love só não leva com isto porque já vi que já lhe impingiram o teste... ;)
http://www.havidaemmarkl.com/havida.html
Fazer scroll até 9/2/2006: AMÁLIA, A LOCUTORA VIRTUAL (QUE MIA)
rais'partam a clix e a sua factura detalhada que me chibou uns míseros 16 minutos e 38 segundos de ligação para um optimus no dia 7 de Janeiro, às 18h58m30s!!! O que vale é que fui o único "sobrevivente" de uma gastroentrite que pôs de cama pai, mãe e irmã e lá tive eu de ir fazer canjinha e cházinho para toda a gente... eheheh
(pequeno aparte: quem anteriormente me imaginou a dançar sensualmente pela casa fora, imagina-me agora vestido de enfermeira...)