06/02/2006

encontro com o desconsolo

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A meio d’ “O fio das missangas”, a campainha toca. Intrigado, a pensar se viriam para contar a luz ou a água, levo uma mão ao cabelo, tique vaidoso de quem não espera companhia. Da janela do andar de cima, espreito, sou apanhado por caras familiares, mas não conhecidas.

- Boa tarde.

- Sr. Estranho – começa a primeira – não sei se se lembra, mas há umas semanas deixámos aqui umas revistas para o senhor consultar e combinámos um encontro para falar sobre isso...

- Ah sim… - vêm-me à cabeça as revistas; usei-as para acender a lareira no próprio dia, enquanto pensava na minha avó e em como ela me censuraria se soubesse que queimava as preciosas revistas da religião dela… – Olhe, desculpe, mas não estou interessado. Peço desculpa por as ter feito perder tempo, mas…

- Não tem nada que pedir desculpa! – abrupta a segunda – Se não está interessado, não está interessado!

- Bom, então tenha uma boa tarde e obrigado – completa a primeira, enquanto olha uma última vez para a janela com um meio-sorriso de desconsolo. Retribuo-lhe o meio-sorriso:

- Boa tarde…

Volto para a leitura, mas não consigo. Penso na primeira, a cara dela lembra-me uma professora, das pessoas que conheço talvez a que menos acredita na existência de Deus. Não uma cobarde agnóstica, como eu, mas uma verdadeira ateísta. Tão absolutamente ateísta que nem fala em religião. Talvez tenham a mesma idade, mas a que acabou de me tocar à porta parece mais nova, sem dúvida mais calma. Tem a calma de quem confia em Deus. Por vezes, gostava de acreditar que Deus realmente existe, que toma conta de mim, que se for boa pessoa, tudo me sorrirá e que posso confiar cegamente no Seu juízo. Deve ser bom deixar o destino nas mãos de um deus omnipresente e todo-poderoso. Mas não consigo. Aos 6 anos, a inocência e a resolução próprias de uma criança dessa idade, levaram-me a acreditar que Deus não existia. Foi o primeiro e maior desgosto que dei à minha mãe, que ainda hoje me aponta o dedo (como boa católica não-praticante que é). Não consigo conceber que alguém omnipresente e todo poderoso seja tão ausente, tão impotente. Talvez a minha avó tenha razão (ainda que tenha as minhas dúvidas), talvez eu tenha mesmo o diabo no corpo, talvez a minha família e casa estejam realmente possuídas por um qualquer mal milenar que ela, na sua inocência e resolução próprias de quem chega a velho e começa a temer a morte, possa eliminar com a força da sua fé. Mas não acredito. Não posso acreditar que um punhado de textos supostamente sagrados ditem o destino da minha alma ou a de qualquer outra pessoa. Não posso acreditar que a minha avó, que mal fala para o meu avô por ele não seguir a mesma religião, que deixou de aceitar o convívio familiar em alturas de Natal e aniversário (por causa da religião), que estende a mão a alguns dos meus tios ao mesmo tempo que repele o meu pai, tenha razão. Mas lamento o meio-sorriso de desconsolo da primeira. Sente que falhou, que perdeu mais uma alma e tenho a certeza de que hoje vou estar incluído nas suas preces. E também lamento ter dito à minha avó que não acredito na existência de Deus (o Sr. Jeová para ela…) e tenho a certeza que também estou incluído nas preces dela… no final da lista, depois de todos os meus primos... Não interessa, tenho a calma e a consciência de que depende só de si.

31/01/2006

Rivais

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Ele acordou. Manteve-se de olhos fechados, mas sabia que estava acordado porque ouvia a gata a miar no quarto ao lado, a pedir para a deixarem ir beber água. Levantou-se, abriu a porta do quarto ao lado e voltou a deitar-se. Algum tempo depois, um ronronar acompanhava o subir e descer da respiração do seu peito. Abriu os olhos e fez “psst!”, o que fez com que dois olhos amarelos se abrissem em frente dos seus. Lembrou-se de lhe terem falado de um documentário sobre mortes causadas por ataques de gatos e perguntou à criaturinha que agora olhava para ele se ela, por acaso, não trazia uma faca ou uma pistola à cintura, por baixo do pêlo… A única resposta foi “miau", um “miau” prolongado e muito arrastadoa ele se ela ara ele se ela e perguntou-lheos dele e serque n, quase como o balir de um cabrito! Riu-se. Dobrou as pernas, erguendo os joelhos, e o movimento súbito assustou o cabrito que miava e ficou de novo sozinho. Doía-lhe um joelho, inchado e marcado, mas sabia que, se tivesse oportunidade, nesse mesmo instante sairia de casa para se encontrar com os outros. Levantou-se, vestiu-se e tomou o pequeno-almoço. Pensou no que estaria o outro a fazer…

Ele fechou a porta do quarto. Sentia frio, mas ainda era muito cedo para se deitar. Retomou a leitura; em breve acabaria o livro com o seu nome. Não via ninguém há bastante tempo e não queria saber disso para nada. Sentia-se bem, frio e sozinho, mas bem. Passaram 2 horas antes de se aperceber de que estava cansado. Doíam-lhe as costas. Levantou-se, silenciosamente. Passou os olhos pelas estantes como que a decidir-se que livro leria a seguir. Nesse momento, apetecia-lhe escuridão, contos rápidos de macabro e esoterismo, de sombras que se revelam gatos que se revelam demónios que se revelam a própria alma da personagem principal. Preparou-se para se deitar. Lá fora, um gato miou e outro respondeu-lhe, na escuridão. Pensou no que estaria o outro a fazer…

Ele e ele nasceram no mesmo dia e à mesma hora. Nem um segundo separou o nascimento de um e de outro. Noutros tempos, em eras de magia e fantasia, uma profecia teria sido criada:

“Duas almas nasceram como uma só,

O destino de ambas, unido pela carne.

Uma caminha na Luz e à Fortuna agradece,

A outra cavalga nas Trevas e nada teme.

Uma terá ajuda com um sorriso,

A outra comandará exércitos com o olhar.

O mesmo Destino espera as duas

E, por ele, se destruirão.”

26/01/2006

MY tell-tale heart

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Be still, my heart, as someone once said,

For you cannot beat as soundly as you wish.

Be still, heart of mine, for you are a child,

Beating fast and long for what you cannot have.

Be silent; cherished heart, a wiseheart you must be,

For there is no pounding where you wish to be,

Not for you, anyway, not for us.

Pace down, beloved heart,

You’ll wear yourself down;

Ramming yourself against our chest

Will not bring you the object of your desire.

Save your strengths, dear heart of mine;

Not all battles are made to be won,

Some are there to make you stronger

And, though none of us can see,

All glory we will vanquish.

Be still, my heart, my friend, be patient,

Who knows what tomorrow will bring?

360

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Como muitos surfistas, skaters e malabaristas afins saberão, um 360 é uma volta completa com a prancha ou o que quer que seja que usam debaixo dos pés. Amanhã, os meus pais vão perguntar-me porque raio liguei o computador às 2 da manhã e eu vou sorrir, discretamente, com os olhos a brilhar muito, e dizer que não conseguia dormir e que fui ver se já me tinham enviado o trabalho. Vou mentir, portanto, apesar de ter prometido a mim mesmo nunca mais mentir, mas esta é pequenina…

A minha vida está numa espiral ascendente, um 360 do chão para o céu (com possibilidades de queda, é certo, mas qualquer subida implica uma descida, por isso preocupo-me quando chegar a altura. Além disso, “malhar”, como dirão os artistas já mencionados, faz parte da vida!). Durante 19 longos anos vivi amorfo. Tenho 24 anos agora, a caminho dos 25, e os últimos 5 anos têm sido, no mínimo, inconstantes. Da arrogância extrema à mais profunda convicção de inutilidade foram 2 anos. Do frenesim ao chorar num autocarro apinhado (obrigado, R., por teres tentado encobrir-me, sem saber o que fazer ou dizer) foi 1. Da culpa à aceitação outros 2. Das incertezas ao caminho que sempre se quis seguir… 4 dias! Dia 20 de Janeiro deu-me força: a hipertensão (genética e provocada pelo excesso de peso) está controlada e o meu coração bate mais descansadamente do que o do meu pai, que tem 55 anos, pratica uma hora de atletismo por dia e participa em todas as provas amadoras semanais que existem (e começo a sentir o bichinho de lhe seguir as pegadas, mas não lhe digam nada); o tratamento de imuno-alergologia começado há 5 longos anos, acabou e a reacção do meu organismo encheu o meu médico de orgulho (nas próprias capacidades. Sr. Doutor, sabe, por muito pouco que o corpo reaja, é incrivelmente latoso deixar um paciente com 15 picadas em cada braço sozinho num consultório, ainda que seja a ouvir uma qualquer senhora a cantar ópera - que, só por mero acaso, não é australiana, como disse com um sorrisinho sarcástico nos lábios, mas sim neo-zelandesa...); a entrevista no centro de emprego deu-me vontade de rir quando, depois de ficarem admirados com a média que obtive no curso de Tradução e Interpretação, me perguntaram se sabia falar alguma língua... (vale a pena comentar?); o reencontro, 1 ano e muitos textos dedicados depois, com… não vale a pena, devia lamentar esta sensação, mas a verdade é que não me aqueceu nem arrefeceu. E sei que o sentimento foi mútuo. Recordei o passado, sim, mas, oh, durassem todas as recordações e mágoas tão pouco tempo e seria um Estranho bem mais feliz! Segue a tua vida, ex-Estranha, vou fazer o mesmo sem olhar para trás. Voltei a encontrá-la, depois, no dia 23, o que só serviu para confirmar essa sensação de banho-maria, nem ferve nem arrefece. Mas, como disse o correspondente de Oxford, não deixa de ser curioso vê-la mais vezes em 4 dias do que em 2 anos!

A minha vida está numa espiral ascendente, um 360 do chão para o céu. Tenho 2 sócios com quem deverei abrir uma empresa de tradução ainda este ano, dependendo do capital e dos clientes angariados com o trabalho como freelancers. É aí que está o 360, uma volta completa e volta-se ao ponto de partida. O que sempre quis poderá realizar-se. Do chão para o céu. Estou calmo. Sei o que quero. Começo a ser feliz. Como disse à minha mãe, só me falta emprego e amor; o primeiro, se calhar, crio-o; o segundo...

12/01/2006

Mauzões, TREMAM!!!!!

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Farto do desemprego, decidi fazer algo pelo bem maior! Velhinhas, nada temam! Chegou quem vos salve! THE STRANGER!!! (o nome Batman e o fato original estão protegidos por direitos de autor muito elevados...)


E a sua parceira na luta contra o crime, J-WOMAN!!! (fato ainda à espera de aprovação e escolha de cores...)


Hum, será que houve mais algum Batman ou vamos conseguir expandir o grupo de super-heróis?...

11/01/2006

Go for it!!!

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http://www.okcupid.com/tests/list

Cuidado! Pode ser viciante...

(Pinky, o teste que mostrou que sou o Batman é este-

http://www.okcupid.com/tests/take?testid=10735744739419114333 . Ah, e obrigado pela carta astral! Realmente, algumas coisas batem certo, mas, mesmo assim, não consigo acreditar que a Maya possa ter alguma razão no que diz!)

Warrior

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I cross a field of tall grass, running towards the moon, shining – oh, so bright! – amidst a sea of infinite darkness. My sword is light, lighter than I remember, must have dragged it for longer that I noticed. Or maybe I have become stronger… I drag the sword no longer, instead I wave it high in the air, striking any foe that crosses my path, striking with all my heart, all my soul, be it a dreadful three armed windmill or an onslaught lead by Zeus himself, I shall not be stopped. I am a knight, a warrior, born a swordsman in a time of gunfights, but I shall not be stopped by fear, not for mortals and not for titans, the moon I want and the moon I shall grasp. Die I will, surely, by some better sword or spear, not by treacherous poison, not by a knife stabbed in the back and – oh horrible fate, oh dishonoured death – not by age, not the lack of strength to breathe! Let me lye proud, my head high like my sword, my deeds remembered forever and my quests forgotten nevermore. Let my tombstone read “The greatest warrior that ever lived”, not my name, not the day I was born and not the one I died. Let my sword above my tomb. Leave no money in my pockets. A warrior I was born, destined to slay giants and gods alike, and, when the time comes, the boatman I shall send away and swim across the Styx, Cerbero will flee at the sound of my roar, rule over Hades I will!

But, for now, let me chase the moon… It shines - oh so bright! - amidst that sea of infinite darkness and I wish to hold it – oh so dearly!

08/01/2006

To whom it may concern...

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O meu e-mail mudou para oestranho@clix.pt.
O contacto do messenger, aparentemente, continua a ser oestranho@sapo.pt.

Se eu fosse a salvar o mundo...

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Batman
Cool, calm and powerful. Whilst your actual super abilities may not be anything too dazzling, you have earnt the respect of both friends and enemies in response to your amazing fighting skills, strategic combat and experience. Luckily you have access to the greens which can fund all your majorly cool gadgets, vehicles and weapons! Also, you're reluctant but still accepting to the idea of having a teammate/side-kick, which just makes everything a whole lotta fun, doesn't it now! On the down side, you've probably suffered some sort of trauma at a young age (that's why we don't talk to the old man near the swings, kids). Similar to the Wolverine, your past is a base for your current motivation, undertaking some kind of personal vow in search of justice. All in all though, you're one tough nut. There's not a lot of people who have the minerals to go up against you, and you're experienced enough not to get cocky and let the little things like never finding happiness get you down!

29/12/2005

As três últimas semanas de 2005

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Choro, com uma dor que não é minha. Choro, não porque os outros choram, mas pelos motivos porque choram. Choro porque tenho frio, porque estou sozinho, a acompanhar alguém que chora mais alto, mais inconsolavelmente, mas com mais motivos do que eu. Choro porque sinto, porque me despeço de alguém que nunca conheci, mas por quem não consigo deixar de sentir revolta. Choro – sozinho.

Espero o nascer do sol, como faço todos os anos, nesta noite, desde que fiquei com um quarto só para mim. Cinco metros à direita, com duas paredes pelo meio, oiço o meu pai ressonar, apesar de ele dizer que não o faz. Em frente, vejo as decorações natalícias pirosas dos meus vizinhos, mangueiras de luzes que atravessam o ar desde uma janela até ao limoeiro mesmo por baixo do meu quarto. Passo assim a noite, todos os anos, quieto, a pensar e à espera que o sol nasça. Depois de todos se deitarem, guardo na memória o ano que passou, não espero pela próxima semana, a minha passagem de ano é e sempre será o natal, a “festa da família” para evitar evocações a um deus preguiçoso e rancoroso. O sol nasce. Fecho os olhos. Adormeço.

Está a chover. «PANTUFA!» Estou no meu jardim, a chamar pela minha gata «TUFAS, ANDA CÁ!» Ela fugiu, o meu pai deixou a porta aberta e ela, como sempre, aproveitou para se esgueirar para ir brincar. «PANTUFA!» Estou no jardim, a fugir de mais uma discussão acerca de estar desempregado, e o sangue ferve-me, apesar da chuva me enregelar a pele. Ao contrário do que os meus pais e irmã parecem pensar, eu NÃO gosto de estar em casa, de ser “doméstico”. Começo a sentir reservas de dar a minha opinião em casa, estou sempre errado. «PANTUFA, PORRA, ANDA CÁ!!!»

Espero uma luz que me aqueça o corpo e uma voz que adormeça os sentidos. Durmo pouco, sempre dormi, mas sonho muito, demasiado. Vejo os dias passar muito devagar, a vida a andar pouco para a frente e na direcção contrária à que queria. Os dias repetem-se e fico sem saber se realmente o ontem acabou. Disfarço, ou tento disfarçar, a melancolia da cara, mas sei que os meus olhos gritam o que sinto. Não há, felizmente, muita gente a olhar para eles. Nunca gostei de me mostrar, nada mesmo. Seria incapaz de dizer o que acabei de escrever olhos nos olhos. A minha alma pertence-me a mim. Alguém, que já não existe, conheceu cada canto da minha essência, mas, tal como ela, “a pessoa que conheceste já não existe”…

Há frases que me ficarão gravadas para sempre.

07/12/2005

The Moirai

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Across a gray forest of fallen trees,

Lays a black pond of missing fish.

It is no normal water that fills this pond,

It is the water in which the Moirai bath.

Surrounded by mist and death and fear,

The Moirai wash their bodies clean.

First comes Klotho, young as the dawn,

Planting a seed, as she washes her feet.

Then comes Lachesis, mother and wife,

Feeding a plant, as she washes her breast.

Finally comes Atropos, old as the world,

Pulling the faded, as she washes her eyes.

Men cry as the three come together,

For they know they cannot escape

The black pond of missing fish,

Where life and death are joined together

And all fate is set in tears…

06/12/2005

Psst, psst, oh faz favor...

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Para qualquer interessado, aqui fica a dica de que sou colaborador num outro blog (borras de café) e que, depois de um puxão de orelhas acerca do facto de nunca ter publicado nada lá (o que é mentira, porque lembro-me de há cerca de um ano ter lá posto qualquer coisa!), acabei de postar um poema... ok, uma espécie de poema... ok! Um texto reles com um formato de poema!!! Bolas, como é difícil a auto-propaganda provocada pela sede de protagonismo...

30/11/2005

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em japones, "amor" diz-se "ai"...
em contrapartida, "doce" diz-se "amai"...

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esqueci-me de como se sonha

29/11/2005

Bolas!

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já há algum tempo que não sentia este friozinho no estômago, ainda para mais por causa de um telefonema... mas já passou e, quem diria, não valia a pena o nervoso miudinho que tanta vontade me dá de rir...
quase tudo na mesma desda a noite passada, ansiedade é maior...

É muito simples e fácil de explicar...

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Procuro palavras simples para aquilo que quero dizer, mas a esta hora nada é fácil ou simples. Sinto as pernas frias, consequência inevitável de ter saído do banho e só ter vestido uma camisola e as inevitáveis boxers. Faço uma pequena selecção de 10 músicas que tenho perdidas no computador, umas já gravadas, outras por gravar e outras ainda que tirei porque sim. - começa “Aqui tão perto de ti”, dos Donna Maria - Quero deitar-me quando o pseudo-cd acabar de tocar – 43 minutos. Hum... É melhor tentar ser mais rápido, amanhã pode vir a ser um dia… nem sei que tipo de dia se poderá tornar o amanhã. Provavelmente, será igual a todos os outros, movimento de dia, desconsolo à noite, como se faltasse qualquer coisa. E eu sei que falta, seria tudo tão mais simples se não faltasse, mas falta e mais do que eu queria… - começa “You’re beautiful”, de James Blunt. Maldita frase final… - … porque já há muito que não sinto a paz de deitar a cabeça na almofada e adormecer imediatamente. Às vezes, conto os nós do tecto ou fico a pensar no “Daniel” e se aquela história alguma vez passará de prólogo e de conto. Por vezes lembro-me de "encomendas" como "A vida dos bonecos", mas não consigo desenvolver o meio da história, desculpa, .J., é mesmo a única parte que falta, mas não sai mais nada! – começa “Boulevard of broken dreams”, dos Greenday – A maior parte das vezes… confesso que fujo. Refugio-me em mundos que crio até ao mais ínfimo pormenor, desde a quantidade de países à cultura de cada povo. Faço-o desde pequeno, quando não me sinto satisfeito e esse é um dos motivos porque, por vezes, me auto-diagnosticava um certo autismo… Mais um gomo… - começa “Shine on”, dos Blind Zero – Agora percebo que tudo não passa de cobardia. É tão mais fácil fugir e começar tudo de novo! Não interessa, consciente e perante o mundo, sou imperturbável e qualquer ocasião em que os olhos estejam inchados e vermelhos deve-se apenas a alergias, mais nada. Que mais poderia ser? – começa “Fix you”, dos inevitáveis Coldplay. Que raiva não ter conseguido bilhete para Lisboa!!! – Afinal de contas não me falta nada. Espera… acabei de me lembrar de Alcobaça… Não posso mentir mais, já me trouxe problemas que chegue. Alcobaça… Não foram só os The Gift que saíram de lá. Não, houve uma série de demónios, fantasmas, recalcamentos, o que quiserem, que saíram de lá. E ainda que tenham morto a criatura que os escondia, ajudaram a criar o Estranho, numa versão próxima da que agora escreve este texto, mas esse é um gomo grande demais para contar e explicar aqui e agora. - começa “Speed of sound”, outra vez dos Coldplay?! Calharam juntas… - E agora me apercebo que já falei 2 vezes em gomos e não expliquei! Há alguns dias (ou semanas…) comentei com um amigo e colega bloguista que ele não podia esperar que eu contasse tudo o que penso, sinto ou vivo (ele queixou-se de não saber praticamente nada da minha vida académica). Ele teria que me ver como uma laranja: uma casca grossa por fora (e por isso é que tanto ele como as pessoas que ele não conhece, mas que fazem parte da minha vida, demoram tanto tempo a conhecer-me – a turma com ele, um ano; a turma com a nenuco, quase dois…) e muitos gomos individuais por dentro (que, como são individuais, não sabem de nada do que se passa nos gomos ao lado, apenas que eles existem…) – começa “So here we are”, dos Bloc Party – De qualquer maneira, como estava a dizer, Alcobaça não me deixa mentir, falta-me qualquer coisa. E acabei de me aperceber que mesmo que quisesse mentir, não conseguiria, o início do texto desmentir-me-ia… Isto é tudo sono, amanhã passa. Ou piora… - começa “Quase perfeito”, dos Donna Maria. A vocalista é lindíssima! - …, porque não sei ao certo o que esperar, como me preparar, o que mentalizar e isso inquieta-me e não me deixa dormir. Por isso é que estou aqui, às voltas, sem saber o que escrever porque quero falar, mas não revelar o que quer que seja (a questão dos gomos é quase patológica, lamento…) e a verdade é que também é tudo muito confuso para – começa… gaita… começa “Who are u?”, de David Fonseca… - …Bolas… Como eu dizia, é tudo muito confuso para mim também. Não sei ao certo o que procurar, apenas o que quero ou sinto precisar. Paixão. Amor. Recíproco. Incondicional. Avassalador. Reconfortante… Bolas, fico piegas nestas alturas… E carente… Só espero não chegar ao ponto da Chloe, do Fight Club, e desatar a oferecer sexo a desconhecidas! Pensando melhor, isso se calhar até nem é má ideia… Mas acho que ia ter tanto sucesso como ela (para quem não conhece, nenhum!). - começa "Problema de expressão", dos Clã. Confesso que escolhi esta como última por motivos óbvios (digo eu) - Não sei o que dizer apenas porque não sei o que sentir, essa é a grande verdade. Se fossemos máquinas, teríamos botões de ligar e desligar, mas, estupidamente, não temos. Vivemos demasiado na dúvida em relação aos outros, criamos joguinhos estúpidos e por vezes infantis para avaliar o que se passa na cabeça dos outros e tantas vezes nos enganamos… Passamos uma vida inteira às cegas, a caminhar na escuridão e tantas vezes não nos apercebemos das luzes que passam porque estamos a tentar perceber o esquema dos fios eléctricos. Tantas vezes nos falta a visão e as palavras porque simplesmente temos medo de ver e de dizer o que sentimos e lá canta a Manuela Azevedo “Não digo o que estou a sentir! Digo o contrário do que estou a sentir!”… E quando as coisas correm mal… Pensamos no que devíamos ter dito, no que não devíamos ter mostrado, no que devíamos ter feito…

É assim tão difícil dizer Amor?

24/11/2005

Para alguém

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Porque me apeteceu e porque me apetece, mas acima de tudo porque sinto. Com certeza que o David me perdoará se a pontuação estiver mal colocada, mas também ele nunca vai sequer suspeitar que isto está aqui. Para alguém (que provavelmente também nunca vai saber que isto está aqui para ela...):

Ever since I saw you,

I want to hold you

Like you were the one.

It sees right through me,

A bullet it comes and takes me.

And I love you, I love you.

I want you, but I fear you…

Who are you? Who are you?

Ever since I saw you,

I want to hold you

Like you were the one.

Your feet rest on my shoes,

I sing this song for you,

Just to see you smile…

And I love you, I love you.

I love you, but I fear you…

Who are you? Who are you?

For how long, how strong do I still have to be?

How come you mean so much to me?

And I love you, I love you.

I want you, but I fear you…

Who are you? Who are you?

For how long, how strong do I still have to be?

How come you mean so much to me?

"Who are u?", de David Fonseca

08/11/2005

Estou a precisar de me apaixonar...

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Não me olhes com esses olhos, não é justo. Já basta que tenhas aparecido, montada nesta nuvem, para me vir buscar. Já basta que existas. Não, não me olhes com esses olhos, enquanto voámos pelo céu, com o vento a bater-nos na cara e o sol a escurecer-nos a pele. Já basta que estejas aqui. Não precisas de me enfeitiçar mais, já comandas o meu coração como se ele fizesse parte de ti. Não, não me peças que olhe para ti, que o resto do mundo desaparece, que eu esqueço-me de respirar e sufoco e não controlo as emoções e o meu sangue corre todo na tua direcção. Não, não te aproximes de mim que eu abraço-te e tenho medo de não te voltar a largar ou de te magoar, com a força dos meus braços e a vontade de te juntar à minha alma. Não, não me abraces que o meu corpo arde com vontade de te amar e eu sinto por ti um desejo difícil de apagar. Não, não me beijes que os meus lábios têm veneno, porque eu não suporto que tudo não passe de um sonho e não resistiria a outro despertar…

02/11/2005

Oh Pinky, nem me digas nada!

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Desculpem lá, mas decerto compreenderão que é um bocado difícil rir quando se tem pontos dentro das fossas nasais e se sente o céu da boca pisado... Claro que mal vi esta brilhante imagem me esqueci da dor... Ai, o meu nariz!

26/10/2005

Preze a sua saúde!

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Furacões?! Pandemias?! Gripe das aves?! Bah! Nada tema, a solução para o seu problema acaba de chegar! Leia este blog! Apesar de ficar a ver risquinhas na parede depois de o fixar durante algum tempo, consuma este blog livremente, pois ele não só contém bifidos activos que ajudam a limpar o organismo de toxinas, como também é feito à base de aloé vera que ajuda a dar aquele pequeno toque suave ao seu corpo. E, por incrível que pareça, funciona também como um potente digestivo para os momentos de maior aflição! É remédio santo!

Furacões? Pandemias? Gripe das aves? Com O Estranho, limpe a sua vida de preocupações!

(a mensagem que acabam de ler é da exclusiva responsabilidade da falta do que fazer e do Blogger por permitir que se escreva disparates a qualquer hora...)