29/12/2005

As três últimas semanas de 2005

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Choro, com uma dor que não é minha. Choro, não porque os outros choram, mas pelos motivos porque choram. Choro porque tenho frio, porque estou sozinho, a acompanhar alguém que chora mais alto, mais inconsolavelmente, mas com mais motivos do que eu. Choro porque sinto, porque me despeço de alguém que nunca conheci, mas por quem não consigo deixar de sentir revolta. Choro – sozinho.

Espero o nascer do sol, como faço todos os anos, nesta noite, desde que fiquei com um quarto só para mim. Cinco metros à direita, com duas paredes pelo meio, oiço o meu pai ressonar, apesar de ele dizer que não o faz. Em frente, vejo as decorações natalícias pirosas dos meus vizinhos, mangueiras de luzes que atravessam o ar desde uma janela até ao limoeiro mesmo por baixo do meu quarto. Passo assim a noite, todos os anos, quieto, a pensar e à espera que o sol nasça. Depois de todos se deitarem, guardo na memória o ano que passou, não espero pela próxima semana, a minha passagem de ano é e sempre será o natal, a “festa da família” para evitar evocações a um deus preguiçoso e rancoroso. O sol nasce. Fecho os olhos. Adormeço.

Está a chover. «PANTUFA!» Estou no meu jardim, a chamar pela minha gata «TUFAS, ANDA CÁ!» Ela fugiu, o meu pai deixou a porta aberta e ela, como sempre, aproveitou para se esgueirar para ir brincar. «PANTUFA!» Estou no jardim, a fugir de mais uma discussão acerca de estar desempregado, e o sangue ferve-me, apesar da chuva me enregelar a pele. Ao contrário do que os meus pais e irmã parecem pensar, eu NÃO gosto de estar em casa, de ser “doméstico”. Começo a sentir reservas de dar a minha opinião em casa, estou sempre errado. «PANTUFA, PORRA, ANDA CÁ!!!»

Espero uma luz que me aqueça o corpo e uma voz que adormeça os sentidos. Durmo pouco, sempre dormi, mas sonho muito, demasiado. Vejo os dias passar muito devagar, a vida a andar pouco para a frente e na direcção contrária à que queria. Os dias repetem-se e fico sem saber se realmente o ontem acabou. Disfarço, ou tento disfarçar, a melancolia da cara, mas sei que os meus olhos gritam o que sinto. Não há, felizmente, muita gente a olhar para eles. Nunca gostei de me mostrar, nada mesmo. Seria incapaz de dizer o que acabei de escrever olhos nos olhos. A minha alma pertence-me a mim. Alguém, que já não existe, conheceu cada canto da minha essência, mas, tal como ela, “a pessoa que conheceste já não existe”…

Há frases que me ficarão gravadas para sempre.

07/12/2005

The Moirai

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Across a gray forest of fallen trees,

Lays a black pond of missing fish.

It is no normal water that fills this pond,

It is the water in which the Moirai bath.

Surrounded by mist and death and fear,

The Moirai wash their bodies clean.

First comes Klotho, young as the dawn,

Planting a seed, as she washes her feet.

Then comes Lachesis, mother and wife,

Feeding a plant, as she washes her breast.

Finally comes Atropos, old as the world,

Pulling the faded, as she washes her eyes.

Men cry as the three come together,

For they know they cannot escape

The black pond of missing fish,

Where life and death are joined together

And all fate is set in tears…

06/12/2005

Psst, psst, oh faz favor...

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Para qualquer interessado, aqui fica a dica de que sou colaborador num outro blog (borras de café) e que, depois de um puxão de orelhas acerca do facto de nunca ter publicado nada lá (o que é mentira, porque lembro-me de há cerca de um ano ter lá posto qualquer coisa!), acabei de postar um poema... ok, uma espécie de poema... ok! Um texto reles com um formato de poema!!! Bolas, como é difícil a auto-propaganda provocada pela sede de protagonismo...

30/11/2005

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em japones, "amor" diz-se "ai"...
em contrapartida, "doce" diz-se "amai"...

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esqueci-me de como se sonha

29/11/2005

Bolas!

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já há algum tempo que não sentia este friozinho no estômago, ainda para mais por causa de um telefonema... mas já passou e, quem diria, não valia a pena o nervoso miudinho que tanta vontade me dá de rir...
quase tudo na mesma desda a noite passada, ansiedade é maior...

É muito simples e fácil de explicar...

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Procuro palavras simples para aquilo que quero dizer, mas a esta hora nada é fácil ou simples. Sinto as pernas frias, consequência inevitável de ter saído do banho e só ter vestido uma camisola e as inevitáveis boxers. Faço uma pequena selecção de 10 músicas que tenho perdidas no computador, umas já gravadas, outras por gravar e outras ainda que tirei porque sim. - começa “Aqui tão perto de ti”, dos Donna Maria - Quero deitar-me quando o pseudo-cd acabar de tocar – 43 minutos. Hum... É melhor tentar ser mais rápido, amanhã pode vir a ser um dia… nem sei que tipo de dia se poderá tornar o amanhã. Provavelmente, será igual a todos os outros, movimento de dia, desconsolo à noite, como se faltasse qualquer coisa. E eu sei que falta, seria tudo tão mais simples se não faltasse, mas falta e mais do que eu queria… - começa “You’re beautiful”, de James Blunt. Maldita frase final… - … porque já há muito que não sinto a paz de deitar a cabeça na almofada e adormecer imediatamente. Às vezes, conto os nós do tecto ou fico a pensar no “Daniel” e se aquela história alguma vez passará de prólogo e de conto. Por vezes lembro-me de "encomendas" como "A vida dos bonecos", mas não consigo desenvolver o meio da história, desculpa, .J., é mesmo a única parte que falta, mas não sai mais nada! – começa “Boulevard of broken dreams”, dos Greenday – A maior parte das vezes… confesso que fujo. Refugio-me em mundos que crio até ao mais ínfimo pormenor, desde a quantidade de países à cultura de cada povo. Faço-o desde pequeno, quando não me sinto satisfeito e esse é um dos motivos porque, por vezes, me auto-diagnosticava um certo autismo… Mais um gomo… - começa “Shine on”, dos Blind Zero – Agora percebo que tudo não passa de cobardia. É tão mais fácil fugir e começar tudo de novo! Não interessa, consciente e perante o mundo, sou imperturbável e qualquer ocasião em que os olhos estejam inchados e vermelhos deve-se apenas a alergias, mais nada. Que mais poderia ser? – começa “Fix you”, dos inevitáveis Coldplay. Que raiva não ter conseguido bilhete para Lisboa!!! – Afinal de contas não me falta nada. Espera… acabei de me lembrar de Alcobaça… Não posso mentir mais, já me trouxe problemas que chegue. Alcobaça… Não foram só os The Gift que saíram de lá. Não, houve uma série de demónios, fantasmas, recalcamentos, o que quiserem, que saíram de lá. E ainda que tenham morto a criatura que os escondia, ajudaram a criar o Estranho, numa versão próxima da que agora escreve este texto, mas esse é um gomo grande demais para contar e explicar aqui e agora. - começa “Speed of sound”, outra vez dos Coldplay?! Calharam juntas… - E agora me apercebo que já falei 2 vezes em gomos e não expliquei! Há alguns dias (ou semanas…) comentei com um amigo e colega bloguista que ele não podia esperar que eu contasse tudo o que penso, sinto ou vivo (ele queixou-se de não saber praticamente nada da minha vida académica). Ele teria que me ver como uma laranja: uma casca grossa por fora (e por isso é que tanto ele como as pessoas que ele não conhece, mas que fazem parte da minha vida, demoram tanto tempo a conhecer-me – a turma com ele, um ano; a turma com a nenuco, quase dois…) e muitos gomos individuais por dentro (que, como são individuais, não sabem de nada do que se passa nos gomos ao lado, apenas que eles existem…) – começa “So here we are”, dos Bloc Party – De qualquer maneira, como estava a dizer, Alcobaça não me deixa mentir, falta-me qualquer coisa. E acabei de me aperceber que mesmo que quisesse mentir, não conseguiria, o início do texto desmentir-me-ia… Isto é tudo sono, amanhã passa. Ou piora… - começa “Quase perfeito”, dos Donna Maria. A vocalista é lindíssima! - …, porque não sei ao certo o que esperar, como me preparar, o que mentalizar e isso inquieta-me e não me deixa dormir. Por isso é que estou aqui, às voltas, sem saber o que escrever porque quero falar, mas não revelar o que quer que seja (a questão dos gomos é quase patológica, lamento…) e a verdade é que também é tudo muito confuso para – começa… gaita… começa “Who are u?”, de David Fonseca… - …Bolas… Como eu dizia, é tudo muito confuso para mim também. Não sei ao certo o que procurar, apenas o que quero ou sinto precisar. Paixão. Amor. Recíproco. Incondicional. Avassalador. Reconfortante… Bolas, fico piegas nestas alturas… E carente… Só espero não chegar ao ponto da Chloe, do Fight Club, e desatar a oferecer sexo a desconhecidas! Pensando melhor, isso se calhar até nem é má ideia… Mas acho que ia ter tanto sucesso como ela (para quem não conhece, nenhum!). - começa "Problema de expressão", dos Clã. Confesso que escolhi esta como última por motivos óbvios (digo eu) - Não sei o que dizer apenas porque não sei o que sentir, essa é a grande verdade. Se fossemos máquinas, teríamos botões de ligar e desligar, mas, estupidamente, não temos. Vivemos demasiado na dúvida em relação aos outros, criamos joguinhos estúpidos e por vezes infantis para avaliar o que se passa na cabeça dos outros e tantas vezes nos enganamos… Passamos uma vida inteira às cegas, a caminhar na escuridão e tantas vezes não nos apercebemos das luzes que passam porque estamos a tentar perceber o esquema dos fios eléctricos. Tantas vezes nos falta a visão e as palavras porque simplesmente temos medo de ver e de dizer o que sentimos e lá canta a Manuela Azevedo “Não digo o que estou a sentir! Digo o contrário do que estou a sentir!”… E quando as coisas correm mal… Pensamos no que devíamos ter dito, no que não devíamos ter mostrado, no que devíamos ter feito…

É assim tão difícil dizer Amor?

24/11/2005

Para alguém

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Porque me apeteceu e porque me apetece, mas acima de tudo porque sinto. Com certeza que o David me perdoará se a pontuação estiver mal colocada, mas também ele nunca vai sequer suspeitar que isto está aqui. Para alguém (que provavelmente também nunca vai saber que isto está aqui para ela...):

Ever since I saw you,

I want to hold you

Like you were the one.

It sees right through me,

A bullet it comes and takes me.

And I love you, I love you.

I want you, but I fear you…

Who are you? Who are you?

Ever since I saw you,

I want to hold you

Like you were the one.

Your feet rest on my shoes,

I sing this song for you,

Just to see you smile…

And I love you, I love you.

I love you, but I fear you…

Who are you? Who are you?

For how long, how strong do I still have to be?

How come you mean so much to me?

And I love you, I love you.

I want you, but I fear you…

Who are you? Who are you?

For how long, how strong do I still have to be?

How come you mean so much to me?

"Who are u?", de David Fonseca

08/11/2005

Estou a precisar de me apaixonar...

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Não me olhes com esses olhos, não é justo. Já basta que tenhas aparecido, montada nesta nuvem, para me vir buscar. Já basta que existas. Não, não me olhes com esses olhos, enquanto voámos pelo céu, com o vento a bater-nos na cara e o sol a escurecer-nos a pele. Já basta que estejas aqui. Não precisas de me enfeitiçar mais, já comandas o meu coração como se ele fizesse parte de ti. Não, não me peças que olhe para ti, que o resto do mundo desaparece, que eu esqueço-me de respirar e sufoco e não controlo as emoções e o meu sangue corre todo na tua direcção. Não, não te aproximes de mim que eu abraço-te e tenho medo de não te voltar a largar ou de te magoar, com a força dos meus braços e a vontade de te juntar à minha alma. Não, não me abraces que o meu corpo arde com vontade de te amar e eu sinto por ti um desejo difícil de apagar. Não, não me beijes que os meus lábios têm veneno, porque eu não suporto que tudo não passe de um sonho e não resistiria a outro despertar…

02/11/2005

Oh Pinky, nem me digas nada!

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Desculpem lá, mas decerto compreenderão que é um bocado difícil rir quando se tem pontos dentro das fossas nasais e se sente o céu da boca pisado... Claro que mal vi esta brilhante imagem me esqueci da dor... Ai, o meu nariz!

26/10/2005

Preze a sua saúde!

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Furacões?! Pandemias?! Gripe das aves?! Bah! Nada tema, a solução para o seu problema acaba de chegar! Leia este blog! Apesar de ficar a ver risquinhas na parede depois de o fixar durante algum tempo, consuma este blog livremente, pois ele não só contém bifidos activos que ajudam a limpar o organismo de toxinas, como também é feito à base de aloé vera que ajuda a dar aquele pequeno toque suave ao seu corpo. E, por incrível que pareça, funciona também como um potente digestivo para os momentos de maior aflição! É remédio santo!

Furacões? Pandemias? Gripe das aves? Com O Estranho, limpe a sua vida de preocupações!

(a mensagem que acabam de ler é da exclusiva responsabilidade da falta do que fazer e do Blogger por permitir que se escreva disparates a qualquer hora...)

Renascimento

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Tenho os olhos bem abertos. Os ouvidos detectam um mosquito na sala ao lado. O nariz… bem, o nariz vai ser operado no próximo sábado, deve ficar bem por essa altura… O coração bate de forma normal e regular e o cérebro está bem, obrigado. Acordei. Quis cantar. Tentei e consegui. Durante anos não o fiz, esqueci-me da letra de todas as músicas, excepto a da “The scientist”, aquela que tu não podias ouvir sem pensar em mim e então pedias aos papa-hóstias que mudassem de estação. Sim, agora consigo cantar, a voz já não treme sufocada por soluços compulsivos de dor e as palavras já não são só inúteis pedidos de desculpa. E sabes o que é o mais engraçado? Je l’ai retrouvé, dans les coins de ma mémoire, encore une fois. Je me rappelle de parler français, je me rappelle d’un certain jeu, d’un certain rêve qui me a fait voir « La vie en rose ». Je me rappelle d’elle. Pas de toi, d’elle. Mas isso não durou mais do que uns dias, uma mera paixoneta momentânea, como os gatos no cio. Não interessa, o importante é que consigo cantar, mesmo que seja a “Boulevard of broken dreams” ou a “Love will tear us apart”, mesmo que desafine e os vizinhos e familiares se queixem, acordo e o primeiro som que sai da minha boca é um cantarolar, uma qualquer melodia como “Vou viver” ou “Problema de expressão”, sim, essa, exactamente essa. Um dia cantá-la-ei, sem dúvida, a alguém que me vai tapar a boca para eu parar, mas os meus olhos (ainda te lembras da cor?) vão continuar em surdina, por baixo do céu azul. Será por baixo desse céu azul que eu vou partir, em busca de outro mundo, com outra alma. E nós? Bem, deixando as músicas e passando a filmes, nós vemo-nos noutra vida, quando voltarmos os dois como gatos…

13/10/2005

Para os aficionados do Google Earth...

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O meu quarto, onde nasceu e é alimentado "O Estranho", fica a 41º12'53.57"N, 8º36'12.82"W.
"A morte do Amor" aconteceu em 41º09'27.96"N, 8º41'08.76"W.
O único sítio onde se pode comer sushi na Maia é no Furusato, 41º13'40.45"N, 8º37'09.02"W
Também sei onde estão o Modern Love e o Staring... ;)

Ei, eu até sou um tipo bem-disposto!

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O problema é que quando chega as 2 da manhã e não tenho nada para fazer, apetece-me escrever e normalmente saem destas coisas (resposta à pinky). (Agora para a Polegar) quando falaste em abraço apertadinho, era a isto que te referias? Sim, aqueles olhos são da minha gata e, sim, ela está dentro de um jarrão... Eu bem disse aos meus pais que tinha de se chamar Guna, mas não senhora, é feio, Pantufa é muito melhor! E até é pouco comum... Mas enfim, conseguem ver aqueles olhinhos como quem diz: "Como é que me meti aqui?! Hum... Socorro?..."

PS: Nenhum animal foi, directa ou indirectamente, mal-tratado nesta sessão fotográfica...

11/10/2005

A morte do Amor

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O nevoeiro cai, espalhando a sombra branca por todo o lado. Ouço o mar aqui perto, mas não o vejo, só às gaivotas que dormitam ainda na praia. Ao largo, as luzes de barcos de pesca brilham incessantemente, afastando-se cada vez mais da luz do farol. Ouço o mar aqui perto, mas não o vejo, as ondas rebentam na areia de forma suave, como se fizessem amor com ela. Tenho a tua alma nos meus braços. Seguro-te com força, apesar de não teres substância, como se tivesse medo de te perder. Mas tu já partiste há muito. Isto a que agora me agarro é tudo o que resta de ti, do teu verdadeiro eu, aquela que foste, aquela que foi minha e que agora não existe. Agarro-me ao que resta de ti, não porque mo tenhas pedido, mas porque te amava, porque precisava de me agarrar a ti, à minha vida. Mas agora morreste e tenho de te deixar partir, para podermos descansar os dois em paz. Cobri-te com o lençol mais imaculado que encontrei. Trouxe-te aqui, onde tu vieste há muitos anos com o teu tio, à Foz, perto da estátua do Homem do Leme. É aqui que te deixo. Beijo o que resta do teu ser, pouso-te na água e tu afastas-te, a boiar, cada vez mais para longe, já quase não te consigo ver, passas a linha do horizonte e é nessa altura, no preciso momento em que deixo de te ver, que percebo que partiste. Afasto-me, na direcção do nevoeiro. Não quero ver o mar agora, apesar da lágrima que fugiu do meu rosto e que corre agora na direcção do mar, atrás de ti. Não quero ver, não te vou seguir e por isso não preciso de te ver. Tu morreste e eu estou vivo. Usarei preto por ti, de vez em quando, quando tiver saudades do tempo que passou, muito de vez em quando. Lembrar-me-ei de ti sempre, principalmente quando me cruzar com a nova (e detestável?) pessoa que és. És uma sombra do que eras. Não como esta, branca e calma, que o nevoeiro espalha, mas uma sombra negra, fria, má, como se tivesses enterrado tudo o que amava em ti para que passasse a detestar-te. Não te detesto. Na verdade, só consigo sentir pena. E em breve, nem isso. Fui o último a desistir de ti; e agora? Quem te resta?

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(Tanto silêncio, neste e noutros blogs, deve-se a uma total ausência da minha alma em mim próprio. Apatia. Completa ausência de inspiração e, ainda pior, de vontade de escrever. Talvez este seja o retomar da normalidade, talvez seja o último durante alguns dias... Vamos ver...)

28/09/2005

A nova menina da casa...

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Chama-se Pantufa porque os meus pais não gostaram que lhe chamasse Guna... É uma chata, sempre a miar! Mimada!

26/09/2005

Eh pá, afinal estou vivo!

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Bom, devia ter tirado um cursito de informática, assim já não tinha ficado sem computador durante uma semana. De qualquer maneira, a vida continua... mais ou menos...

14/09/2005

Fogo e água

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O cheiro a papel queimado faz-me comichão no nariz enquanto o fumo se espalha à minha volta. Nesta lareira, onde outrora arderam velas, acesas para criar ambiente propício ao amor, arde um bloco cujas linhas contêm a minha alma. Parte dela, pelo menos. Há um ano que não lhe mexia. Então, como agora, estava quase a fazer anos, mas então, ao contrário de agora, aquele bloco que agora arde era tudo a que me agarrava para não perder a alma. Lembro-me de uma das frases que agora arde – “Muita coisa muda num ano” – e sorrio ao pensar que tenho ouvido essa frase vezes sem conta neste último ano. Uma lágrima escorre-me pela cara, mas apresso-me a limpá-la. Sei que tenho o fogo reflectido na água dos meus olhos, mesmo depois de ele se apagar. Espalho as cinzas, para que pareça que nada ardeu recentemente e devolvo os vasos ao seu respectivo lugar. Agora há uma bola que bate contra a parede. Estou descalço, na garagem, com o fogo e as lágrimas ainda nos olhos e chuto uma bola com toda a força contra a parede, uma e outra e outra vez, com a certeza de que não resolvo nada, mas com a necessidade de apagar o fogo dos olhos. Paro. Não sei se por cansaço das pernas, se pelo sangue que escorre agora do sítio onde devia estar uma unha. Mas paro apenas por um momento, ainda sinto demasiado fogo a consumir-me por dentro, um fogo que só se vê pelos meus olhos, porque o meu rosto é uma pedra e a minha voz nada diz sobre mim. Encolho-me, no chão, as mãos atrás da cabeça, estou desarmado e de olhos fechados, mas levanto-me logo em seguida e agora agito os braços, desferindo murros no ar até que ele caia, inerte, sem sentidos, porque o odeio, porque o ar atiça o fogo.

Deito-me na banheira, cheia de água fria que me arrepia a pele. Só tenho a cabeça e os dedos dos pés de fora. Aqui debaixo não há ar, aqui debaixo não há fogo. Encosto a cabeça para trás, de olhos fechados. Começo a afundar-me. Sinto que me afundo cada vez mais, à medida que bolhinhas de ar se escapam pelo nariz. O calor que agora sinto nos pulmões não é do fogo que arde sem se ver, é do meu corpo que grita por ar. Mas eu não posso respirar, aqui debaixo não há ar. Chego ao fundo, sinto-o nas costas, enquanto as pernas se debatem. Não, ainda não é altura de regressar, se é que isso vai acontecer. Aqui não há peixes nem algas. Não há tubarões, espero eu. Não, aqui não há nada, só o meu corpo e água. E então abro os olhos. Consigo ver movimento à superfície, mas ninguém se apercebe de que estou aqui. Sinto a água, que agora entra nos pulmões, já não preciso de ar, já não tenho fogo reflectido nos olhos, agora sim, estou em paz. E já não sei se quero voltar. Mas uma mão vem na minha direcção e agita-se na água como se me procurasse. Hesito. Estico-me para a agarrar e ela puxa-me para fora.

Acordo, encharcado em suor. Adormeci, debruçado sobre a secretária, com os dedos ainda cheios de fuligem. Estive a sonhar com a vida e agora preciso de tomar banho. Olho para o lado. Sorrio quando vejo a Tv7dias aberta na página 109. Fico feliz. Olho para o outro lado. Vejo a capa de imitação de cabedal que arranquei de um caderno que se esvaiu em fumo. Fico... vivo.

Vai ficar tudo bem.

(Capicua, nem toda a sabedoria do mundo faria com que dispensasse os teus comentários)

12/09/2005

Ode parola...

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Hoje, não quero adormecer. Sei o que me espera no mundo dos sonhos e não o quero viver. Não, hoje quero ficar acordado, subir ao telhado e contar as estrelas, uivar à lua as minhas tristezas e ver, ao longe, as luzes da cidade. Sim, porque eu vivo cheio de saudade, num lugarejo distante do mundo que desconheço, perto de um rio pequeno e recesso, de água tão imunda que mais parece carvão, morto para a vida, como o meu coração. Não, hoje não quero sonhar com ela, toda a minha alma enregela, e não quero ver o seu rosto, a lembrança só me traz desgosto, e a sua voz causa-me um sofrimento atroz. Não, hoje quero ir para o outro lado, atravessar o oceano a nado, esquecer para sempre o outro lado do rio, onde só há amor doentio. Não, esta noite quero viver, tentar por um momento esquecer que um dia fui feliz, mas que agora só resta uma cicatriz, aqui, no meio do meu peito, tudo por causa de um amor desfeito…

04/09/2005

I'm Jack's life imprisonment...

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People have finally stopped asking me if I know Tyler Durden. Which is good, because I was starting to feel a little upset about it. Well, it wasn’t worse than pulling your own teeth out, after being punched in the face over and over again, but still it was annoying. Yes, I am in Fight Club (look at my face) and yes, I do know Tyler Durden. In fact, just between you and me, I used to be Tyler. Yes, that’s right, I used to be Tyler Durden, the all-powerful leader, no, the foreman of an underground association which aimed at the complete destruction of material needs. Yes, I was full of shit! Still, people followed me. I guess you follow anyone with a plan when your life is completely meaningless or when you can’t afford to buy drugs. Drugs, or the absence of drugs is what turned me into Tyler, I think. There was this stupid doctor who wouldn’t prescribe me sleeping pills and, in some sort of insomniac madness, Tyler was born and my life, not to mention the world, went berserk! Still, I’d say I’m doing pretty good, fucking Marla and bossing people around. I think I saw that stupid doctor, yesterday, among the ranks of the space monkeys. It must have been a shock to him. I think I’ll have his balls cut off… Well, you're reading this because I'm reading this. Wait, what was that again? Hum… Ah, yes! I got it wrong. No, you’re reading this because I’m writing it and the reason why I’m writing this is because Tyler asked me to, although he is dead. After all, I shot myself in the head so he has to be dead. But let me tell you a little bit about what happened to Tyler. He’s dead. Period. That’s it, it’s all you need to know and if you want to know more, rent the fucking movie or read the fucking book! If you can find either one… After all, Tyler’s plan was a success… Wait, what was that again? Did Tyler’s plan succeed or not? Shit, my mind is all fucked up… I miss Bob…