14/09/2005

Fogo e água

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O cheiro a papel queimado faz-me comichão no nariz enquanto o fumo se espalha à minha volta. Nesta lareira, onde outrora arderam velas, acesas para criar ambiente propício ao amor, arde um bloco cujas linhas contêm a minha alma. Parte dela, pelo menos. Há um ano que não lhe mexia. Então, como agora, estava quase a fazer anos, mas então, ao contrário de agora, aquele bloco que agora arde era tudo a que me agarrava para não perder a alma. Lembro-me de uma das frases que agora arde – “Muita coisa muda num ano” – e sorrio ao pensar que tenho ouvido essa frase vezes sem conta neste último ano. Uma lágrima escorre-me pela cara, mas apresso-me a limpá-la. Sei que tenho o fogo reflectido na água dos meus olhos, mesmo depois de ele se apagar. Espalho as cinzas, para que pareça que nada ardeu recentemente e devolvo os vasos ao seu respectivo lugar. Agora há uma bola que bate contra a parede. Estou descalço, na garagem, com o fogo e as lágrimas ainda nos olhos e chuto uma bola com toda a força contra a parede, uma e outra e outra vez, com a certeza de que não resolvo nada, mas com a necessidade de apagar o fogo dos olhos. Paro. Não sei se por cansaço das pernas, se pelo sangue que escorre agora do sítio onde devia estar uma unha. Mas paro apenas por um momento, ainda sinto demasiado fogo a consumir-me por dentro, um fogo que só se vê pelos meus olhos, porque o meu rosto é uma pedra e a minha voz nada diz sobre mim. Encolho-me, no chão, as mãos atrás da cabeça, estou desarmado e de olhos fechados, mas levanto-me logo em seguida e agora agito os braços, desferindo murros no ar até que ele caia, inerte, sem sentidos, porque o odeio, porque o ar atiça o fogo.

Deito-me na banheira, cheia de água fria que me arrepia a pele. Só tenho a cabeça e os dedos dos pés de fora. Aqui debaixo não há ar, aqui debaixo não há fogo. Encosto a cabeça para trás, de olhos fechados. Começo a afundar-me. Sinto que me afundo cada vez mais, à medida que bolhinhas de ar se escapam pelo nariz. O calor que agora sinto nos pulmões não é do fogo que arde sem se ver, é do meu corpo que grita por ar. Mas eu não posso respirar, aqui debaixo não há ar. Chego ao fundo, sinto-o nas costas, enquanto as pernas se debatem. Não, ainda não é altura de regressar, se é que isso vai acontecer. Aqui não há peixes nem algas. Não há tubarões, espero eu. Não, aqui não há nada, só o meu corpo e água. E então abro os olhos. Consigo ver movimento à superfície, mas ninguém se apercebe de que estou aqui. Sinto a água, que agora entra nos pulmões, já não preciso de ar, já não tenho fogo reflectido nos olhos, agora sim, estou em paz. E já não sei se quero voltar. Mas uma mão vem na minha direcção e agita-se na água como se me procurasse. Hesito. Estico-me para a agarrar e ela puxa-me para fora.

Acordo, encharcado em suor. Adormeci, debruçado sobre a secretária, com os dedos ainda cheios de fuligem. Estive a sonhar com a vida e agora preciso de tomar banho. Olho para o lado. Sorrio quando vejo a Tv7dias aberta na página 109. Fico feliz. Olho para o outro lado. Vejo a capa de imitação de cabedal que arranquei de um caderno que se esvaiu em fumo. Fico... vivo.

Vai ficar tudo bem.

(Capicua, nem toda a sabedoria do mundo faria com que dispensasse os teus comentários)

12/09/2005

Ode parola...

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Hoje, não quero adormecer. Sei o que me espera no mundo dos sonhos e não o quero viver. Não, hoje quero ficar acordado, subir ao telhado e contar as estrelas, uivar à lua as minhas tristezas e ver, ao longe, as luzes da cidade. Sim, porque eu vivo cheio de saudade, num lugarejo distante do mundo que desconheço, perto de um rio pequeno e recesso, de água tão imunda que mais parece carvão, morto para a vida, como o meu coração. Não, hoje não quero sonhar com ela, toda a minha alma enregela, e não quero ver o seu rosto, a lembrança só me traz desgosto, e a sua voz causa-me um sofrimento atroz. Não, hoje quero ir para o outro lado, atravessar o oceano a nado, esquecer para sempre o outro lado do rio, onde só há amor doentio. Não, esta noite quero viver, tentar por um momento esquecer que um dia fui feliz, mas que agora só resta uma cicatriz, aqui, no meio do meu peito, tudo por causa de um amor desfeito…

04/09/2005

I'm Jack's life imprisonment...

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People have finally stopped asking me if I know Tyler Durden. Which is good, because I was starting to feel a little upset about it. Well, it wasn’t worse than pulling your own teeth out, after being punched in the face over and over again, but still it was annoying. Yes, I am in Fight Club (look at my face) and yes, I do know Tyler Durden. In fact, just between you and me, I used to be Tyler. Yes, that’s right, I used to be Tyler Durden, the all-powerful leader, no, the foreman of an underground association which aimed at the complete destruction of material needs. Yes, I was full of shit! Still, people followed me. I guess you follow anyone with a plan when your life is completely meaningless or when you can’t afford to buy drugs. Drugs, or the absence of drugs is what turned me into Tyler, I think. There was this stupid doctor who wouldn’t prescribe me sleeping pills and, in some sort of insomniac madness, Tyler was born and my life, not to mention the world, went berserk! Still, I’d say I’m doing pretty good, fucking Marla and bossing people around. I think I saw that stupid doctor, yesterday, among the ranks of the space monkeys. It must have been a shock to him. I think I’ll have his balls cut off… Well, you're reading this because I'm reading this. Wait, what was that again? Hum… Ah, yes! I got it wrong. No, you’re reading this because I’m writing it and the reason why I’m writing this is because Tyler asked me to, although he is dead. After all, I shot myself in the head so he has to be dead. But let me tell you a little bit about what happened to Tyler. He’s dead. Period. That’s it, it’s all you need to know and if you want to know more, rent the fucking movie or read the fucking book! If you can find either one… After all, Tyler’s plan was a success… Wait, what was that again? Did Tyler’s plan succeed or not? Shit, my mind is all fucked up… I miss Bob…

02/09/2005

Vampire's suicidal note

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My breath was held a long time ago,

My life and warmth taken from my body.

I recall feeling no pain,

Just lust aroused by a kiss of death,

Her lips pressed against my skin,

Concealing her deadly, shining teeth,

As she took my soul away.

I was to never feel again,

In this state of undeath of mine,

As all I was allowed

Was loving and following her path.

Now she’s gone and I was left behind -

The sun took her away from me -

And all I have now is perpetual time,

Far away from the one whom I loved and served,

To wonder, lost, forever,

In this grim, strange land,

Howling her name in the wind and thinking of the past.

But this I cannot accept,

I shall not sustain such pain,

The sun took her away from me

But bind us together again he will,

For this bright full moon I now see

Shall be the last one to which I dance,

This, I swear, is to be my end,

And be with her, once again, I will.

In me there is only grieve and sorrow,

But, mark my words, it will all end tomorrow,

As the bright full moon dies

And the cruel bright sun rises

And takes me, dancing, into my beloved’s arms…

Once again – and truly – FOREVER

01/09/2005

O Segundo Regresso

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Voltar, 12 dias depois. Chegar a casa, desfazer a mala, passar as fotografias para o computador, guardar panfletos, pauzinhos, penas e bilhetes de recordação. Contar o que se viu, descrever o que se sentiu, explicar tudo o que se ouviu. Recordar a chegada a Londres, a simpatia de pessoas que são injustamente acusadas de frias e insensíveis, pessoas que nos abordam para perguntar de onde somos e para nos desejar uma boa estadia, gente que, se por nenhuma outra razão, cumpre a obrigação de dizer “por favor”, “obrigado” e “desculpe”. Atravessar, desta vez em pensamento, os Kensington Gardens até ao Hyde Park, falar com um velhote que alimenta os patos e os trata pelo nome próprio, apanhar o metro em Bayswater até à estação de Piccadilly Circus e ficar deslumbrado com a série de cinemas, pubs, discotecas (ou clubs, para não parecer tão foleiro…) que circundam as ruas, andar até aos poucos edifícios a que, jocosamente, chamaram Chinatown, entrar num restaurante, ficar pasmado a olhar para dois pedaços de céu em forma de olhos e receber um sorriso de "apanhei-te!", experimentar uma Guiness num pub ali perto e ficar a olhar para a janela na esperança de voltar a ver os dois pedaços de céu. Descansar, numa espelunca ideal para poupar uns trocos, e visitar aqueles monumentos, aqueles locais obrigatórios, tudo em passo de corrida, 3 dias passam demasiado depressa, quando se está a gostar. Depois, a partida. Voar, outra vez, agora na direcção do centro da Europa. Esperava-nos uma das cidades mais apetecidas do Velho Continente. Chegar, já de noite. Ser enganado por um taxista que nos levou a dar uma volta ao bilhar grande pela cidade (será que os taxistas são burlões em todo o mundo?!), mas nada de que já não estivéssemos à espera. Tentar adormecer, com receio de que se devia ter ficado em Londres no fim da viagem, Praga vai ser uma desilusão, expectativas altas de mais… Apanhar o Tram até ao centro. Começar a vaguear aleatoriamente pela cidade. Entrar numa praça, igual a muitas outras em Praga, mas como nada que alguma vez tivéssemos visto. Abrir a boca em admiração. Tirar fotografias atrás de fotografias (porcaria de máquina foleira…), embrenharmo-nos pelas ruas e descobrir um edifício imponente, lindo e antiquíssimo em cada esquina, comentar o aproveitamento daquele tipo de edifícios para fazer centros comerciais, mas realmente só há aquele tipo de edifícios, por isso nem se perde nada. Caminhar pelas ruas, à noite, em busca de um sítio agradável onde tomar um copo, oferecerem-nos “Marijuana, haxixe?” ou ainda “Sex, blow-job?” e até (e este fez-me rir como um desalmado no meio da rua!) “Hey, guys, come to this cabaret, beautiful girls, big boobies, blow-jobs, masturbation, sex shows! Midgets, sex with midgets, midgets blow-job, midget masturbation!” (Anões, pá?! Mas que raio de tarado tem fetiches com anões?!). Vaguear, vaguear, vaguear… Toda a cidade é um enorme museu, um emaranhado de ruas e ruelas delimitadas por edifícios que viveram séculos… Qualquer tentativa de descrição é vã e uma enumeração seria insuficiente, para não dizer impossível. Passar o último dia (o avião de regresso era só às 21:00) à beira-rio, a ouvir o barulho da água e a olhar para o Castelo de Praga lá ao longe… Constatar, com um travo de divertimento, que está um velhote só em cuecas a pescar dentro do rio. Lamentar não se ter visto tudo (teremos visto metade, sequer?!) e “gozar” com as pessoas que dizem que Praga se vê em 3 ou 4 dias (que disparate! Mesmo que se passe o dia a correr de um lado para o outro, a picar bilhete atrás de bilhete, o esplendor de Praga não se vê nem numa semana!). Kafka escreveu que Praga nunca nos deixa partir, é como uma mãe com garras, e que, para poder partir, seria preciso incendiar a cidade, só assim se estaria livre...

Como eu o percebo…

25/08/2005

De Praga, com amor...

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Estou ha 3 dias em Praga. Ontem cheguei a uma praca que me deixou boquiaberto. Disse ao parceiro de viagem que, se caisse, queria ficar ali. Quando chegar, coloco aqui as fotos que tiver tirado e peco desculpa pela fraca qualidade da maquina. Tambem peco desculpa pela escrita esquisita, este teclado provavelmente tem acentos e cedilhas, eu e que nao sei onde estao... Ah, e peco ainda desculpa por hoje ter acordado com saudades Dela; sonhei com Ela e nao foi nada agradavel... O pior e que me parece ser um sonho recorrente, ja tive o mesmo 2 ou 3 vezes, portanto ha possibilidades de se repetir... Mas enfim, este pedido de desculpas e para mim proprio, portanto voces estao a invadir a minha privacidade!!!
PS:Nuno, nem sei se deixe mensagem no teu blog, agora que fechou, por isso, OLA!!! ;)

19/08/2005

Ui, vai dar uma volta ainda maior!

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Ok, pronto, tenho andado afastado deste blog. Ok, pronto, tenho andado ocupado com uma vontade absoluta de inutilidade, sem preocupações, sem pensamentos incómodos, sem saudades impossíveis de matar. Ok, pronto, a verdade é que também tenho andado atarefado com preparativos para uma viagem que já há bastante tempo queria fazer (e agora começo a meter nojinho só para despertar inveja!!!eheheh): amanha, as 09:20, apanho o avião para Londres, onde ficarei até dia 23. Daí, apanho outro avião para Praga, onde ficarei até dia 30. Depois volto e chego dia 31. Fim do nojinho... ;) Com certeza que compreenderão que me ausente daqui por mais uns tempos... Mas prometo que dia 1 de Setembro aqui estarei a escrever qualquer coisinha (mais nojinho que vou meter!). Até lá, fiquem bem.
PS: aos ladrões que queiram assaltar a casa no período em que não estará cá ninguém para os receber c0m pompa e circunstância, peço apenas que aproveitem para fazer uma festinha ao meu cão (que NÃO é mais preguiçoso do que a cadela da polegar...) e lhe ofereçam um biscoitinho.

10/08/2005

Regresso

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Chegar a casa, quase uma semana depois de ter partido. Contar tudo, a quantidade de pessoas que se viu, o que se fez, o que se ouviu, como foi espectacular o concerto dos Humanos. Sentar calmamente a uma mesa e jantar. Ler as notícias dos jornais velhos que se pediu para guardar. Adormecer e acordar sem o monótono e irritante barulho de tamborzinhos. Ver as (poucas) fotografias que se tirou. Ouvir e constatar que realmente há muito tempo que não tinha este tom de pele. Pensar em como se gostou de todas aquelas novidades (estreia em festivais deste tipo...). Querer voltar. Paredes de Coura começa para a semana e a minha irmã desafiou-me a ir com ela...

03/08/2005

Ih, vai dar uma g'anda volta!

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É verdade, vou dar uma grande volta. Vou para o Sudoeste e só volto na segunda. Vá, não se preocupem, prometo voltar. Isto se nenhum pescador me tentar caçar por confundir o meu rabo com uma baleia branca... Prometo que NÃO tiro fotos a mim próprio quando estiver a fazer nudismo. Já agora, sabem dizer-me o caminho para o centro cultural?

29/07/2005

Desculpa lá, Polegar...

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...mas o meu cão (PUKI) é mais preguiçoso do que a tua cadela!

26/07/2005

Brincadeiras com a máquina de costura

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Primeira criação: verde, com gola preta.

Segunda criação: azul, com mangas brancas.

Confesso...

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Confesso, sou fraco. Viro-me na cama e desejo ardentemente encontrar lá alguém. Quero adormecer com um corpo quente nos braços, uma mão dada à minha. Confesso, sou fraco. Tacteio os lençóis com as pernas. Anseio por outras pernas para poder cruzar com as minhas. Quero sentir uma pele colada à minha. Confesso, sou fraco. Observo o outro lado da almofada. Procuro cabelos que me façam cócegas na cara e se prendam na minha barba. Confesso, sou fraco. Murmuro sentimentos na escuridão. Quero acordar com uma boca junto ao ouvido a dizer “amo-te”. Confesso… Sou fraco.

21/07/2005

Conversas nocturnas

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- …

- Olá.

- …

- Pânico de solidão? Sim, sei o que é, também já me aconteceu. Toda a gente, mesmo os mais solitários, às vezes sofre disto.

- …

- A última vez que me aconteceu, estava em casa. O meu cão tinha morrido há cerca de um mês, de velhice. Tivemos que abater a minha gata, alguns meses antes, por causa de uma doença provocada pela velhice. Tinha discutido com o meu pai (nada de novo). Não parava de ver vultos à minha volta, debruçando-se nos meus ombros, passando a correr pelas escadas estranhas, reflectidos no monitor, em todo o lado. Eles não sossegavam.

- …

- Ainda os costumo ver, sim, mas isso fica para outra altura. Comecei a tremer. Comecei a chorar. Tudo por causa do pânico de solidão.

- …

- É fácil de identificar, começas a ter arrepios e suores frios, depois tentas ouvir qualquer coisa, mas parece que não há ninguém na rua e por fim começas a sentir um peso enorme nos ombros e uma aflição tremenda.

- …

- Sentia-me perdido. Para piorar a situação, a minha rua – já de si calma – estava absolutamente deserta. Foi há alguns anos, mas recordo-me perfeitamente da sensação. Da angústia de não perceber o que se passava, porque raio é que estava assim? Estava a ler, sossegado, e de repente aquilo?! Tinha discutido com o meu pai.

- …

- Trivialidades, como quase todas as discussões com os pais. Mas, como quase todas as discussões com os pais, sentia-me uma desilusão. Sentia que não tinha saído bem como era esperado. Isso piora sempre o pânico de solidão. Pensamos sempre que estamos sozinhos porque não valemos nada, absolutamente nada. Somos menos que nada, somos um menos infinito!

- …

- Nessa altura, não tinha telemóvel ou saldo, qualquer coisa assim, e estava praticamente proibido de usar o telefone. Estava completamente sozinho e, claro, os maus pensamentos atacaram.

- …

- Fui para a garagem. Não se ouvia nada. Seria o último Homem na Terra? Teriam todos os outros morrido nalgum desastre nuclear sem eu dar conta? Ou … será que era eu que estava morto? As lágrimas aumentaram. O vento soprou e fez um barulho assustador quando bateu no telhado. De repente, uma chave rodou, o portão abriu, o meu pai entrou, e eu senti que me tiravam o peso do mundo de cima dos ombros.

- …

- É-me impossível descrever o que senti. Sei que estava quase deitado e, quando dei por mim, estava no quarto, a limpar as lágrimas. Afinal de contas, “um homem não chora” e, como eu era um puto, achava-me um homem.

- …

- O pânico de solidão ataca em qualquer altura. É fácil de resolver, mas a sensação é terrível. É por isso que, às vezes, tenho que pegar no telemóvel e mandar uma mensagem qualquer, por mais disparatada que seja, a alguém que me responda.

- …

- Sabes, para parede és muito chata! Sim, também acho curioso que tenha sido o meu pai a salvar-me…

15/07/2005

Com quem gostariam de lutar?

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Em determinadas alturas do "Fight Club", as personagens questionam-se sobre com quem gostariam de lutar.
Eu gostava de lutar com um meu professor. Ele é rico, arrogante e incrivelmente bom naquilo que faz, mas não é por isso. As raparigas da minha turma aperceberam-se de que ele tem um pénis enorme. Por inveja, seria capaz de o esmurrar até lhe saltarem os dentes.
Todos nós temos um lado mau em nós, por muito reprimido que esteja. Com quem gostariam de lutar e porquê?

Começa o segundo ano

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“WARNING

If you are reading this, then this warning is for you. Every word you read of this useless fine print is another second off your life. Don’t you have other things to do? Is your life so empty that you honestly can’t think of a better way to spend these moments? Or are you so impressed with authority that you give respect and credence to all who claim it? Do you read everything you’re supposed to read? Do you think everything you’re supposed to think? Buy what you’re told you should want? Get out of your apartment. Meet a member of the opposite sex. Stop the excessive shopping and masturbation. Quit your job. Start a fight. Prove you’re alive. If you don’t claim your humanity you will become a statistic. You have been warned… Tyler

06/07/2005

Algo simples numa ocasião simples

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Todo eu sou este ser mutável descrito no último ano. Psicótico, fingido, apaixonado, magoado, brincalhão. Do amor à raiva, da calma à fúria, todos nós vivemos, todos nós passamos por estas sensações. Todos nós sofremos mutações. Quem éramos nós há um ano atrás? Quem era eu antes do Estranho? Quem serei eu daqui a um ano? Um ano de estranheza. Um ano de textos que permitiram desabafos e isso era tudo o que se exigia deles. Seguem-se mais algumas brincadeiras, talvez textos ficcionais de personagens saídas de filmes e livros (conhecem um senhor chamado Tyler?). Seguem-se mais desabafos. "Preparar para evacuar alma..."

A este ano de estranheza, segue-se outro. Mas, espera lá! Já passou um ano desde Alcobaça?!

05/07/2005

OH!

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Não me apetece acabar a t-shirt! Afinal não gosto assim tanto daquele tom de azul-bebé! E agora? Ninguém tem um aviãozito que me possa emprestar? Acho que fiquei demasiado afeiçoado ao trabalho, i'm bored...

30/06/2005

FIM...

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... DO ESTÁGIO!!! ACABOU! ACABOU! ACABOU! ACABOU! Ah, só para lembrar: O MEU ESTÁGIO ACABOU!!! Ufa... Bem, agora começa a revolução. Hã? Ah, não, não é essa. Ainda não é já que vamos explodir antenas de comunicação e sedes de bancos. O Project Mayhem ainda não arrancou e já deviam saber que não é suposto falarmos disso. Lembrem-se das regras... Não, a revolução vai acontecer no meu quarto (e talvez vida?): arrumar material da escola, "emoldurar" caneta que me acompanhou durante 4 anos (teve que levar upgrades de fita-cola e várias recargas, mas sobreviveu!), reorganizar prateleiras de livros e dvd, gastar linhas e linhas para remodelar guarda-roupa (a máquina de costura é um brinquedo fantástico!eheheheh). Depois disso, actualizar currículo: inserir Licenciatura em Tradução e Interpretação, participação numa curta-metragem, criação de um blog e, na secção de passatempos, costura (estou viciado em fazer t-shirts e para a semana tento um casaco!). Entretanto, acho que vou retomar o exercício físico e, quem sabe, fazer do meu pai um homem orgulhoso, seguindo-lhe as pisadas e dedicando-me ao atletismo (hum... acho que vou antes seguir as da minha mãe e continuar com a costura!). Depois disso, logo se vê. Quem sabe um emprego nas caves do vinho do porto, quem sabe numa editora, posso sempre tentar ser projeccionista de filmes ou empregado em banquetes (space monkeys, you know what I mean! Há que tempos que não me lembrava de como ADORO o Fight Club! Bob had bitch tits. With enough soap, you can blow just about anything.)... Daqui a uns meses, o bichinho da tradução vai voltar a roer nos dedos e lá terei de engolir o que disse de não querer ser tradutor para já. Que se lixe! A vida começa... agora.

28/06/2005

Devaneios

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28 de Junho de 2005. Lembrei-me de escrever qualquer coisa antes de me ir deitar. Estou cansado de portas automáticas (o último trabalho do estágio arranjado à pressa para não ficar uma semana sem fazer nada...) e apeteceu-me escrever qualquer sobre a chuva inesperada que caiu há pouco. Cometi o erro de querer começar o texto com a data de hoje. Há precisamente 5 anos atrás, estava a mandar uma mensagem a alguém para tentar obter uma resposta, que se veio a revelar positiva e que me deixou muito (MUITO) feliz. Mas isso agora não interessa! Não interessa mesmo! Só daqui a seis meses poderá voltar a interessar, mas para já não!

O burburinho começa de repente. Há meses que não o ouvia e demorei um pouco a identificá-lo. É impossível descrevê-lo como algo mais do que um simples bater leve no telhado. Sim, ainda é ao de leve, a verdadeira tempestade começará mais tarde, numa outra vida talvez. E então, nessa altura, confessarei tudo, admitirei que matei o velho cego e gritarei “Villains! Dissemble no more! I admit the deed! --tear up the planks! here, here! --It is the beating of his hideous heart!” – Poe, odeio-te! Mas só nessa altura, não antes. Por agora, contenho-me, apesar de o burburinho se começar a tornar em ruído. As centopeias começam a sair dos seus refúgios. Há demasiada humidade no ar, sinto os pulmões a começar a fraquejar, sei que se aproxima a tempestade. Mas isso não me assusta. Aprendi a usar a máquina de costura, posso criar um agasalho seco se precisar. A luz vai abaixo, “at the speed of sound, to show how it all began” – Coldplay, seus nojentos! Algumas portas automáticas têm baterias que permitem o uso normal durante algum tempo. Ainda bem, não queria ficar fechado cá dentro. Olho em volta, há centopeias em todo o lado, às centenas. Sinto necessidade de berrar, mas só me saem as 8 regras do Fight Club – Palahniuk, és um parvalhão! Lembro-me do Sin City, penso na Nancy Callahan, fico excitado, tenho uma erecção, não sei o que fazer em relação a isso, mato uma centopeia que estava prestes a transformar-se no Gregor Samsa - Kafka, és um idiota e tu , Frank Miller, um chupista!

Acordo, encharcado em suor, ainda a tentar afastar centopeias. Sinto-me exausto, sujo e impotente. Felizmente que tudo isto é, ainda, um sonho, por isso, nem me vou dar ao trabalho de me desviar do tubarão que se dirige a mim. Há uma fila enorme de monstros e fantasmas que me querem atacar, mas não ligo, tudo isto é só um sonho. De manhã, vou acordar, vou lembrar-me do Mark Renton a dizer “Choose life!” e do Tyler Durden a dizer “Fuck damnation, fuck redemption! We’re God's unwanted children? So be it!” e vou saber que estou bem. Só preciso de paz e sossego para descansar.

E já agora, mato mais uma centopeia. Cambada de pêgas...

23/06/2005

Ácido sulfúrico que cai no chão

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O ácido sulfúrico, quando cai no chão, tem muita piada, toda a gente gosta muito de ver o chão fumegar e borbulhar, mas, quando começa a corroer, só se quer é fugir dali para fora...