02/09/2005

Vampire's suicidal note

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My breath was held a long time ago,

My life and warmth taken from my body.

I recall feeling no pain,

Just lust aroused by a kiss of death,

Her lips pressed against my skin,

Concealing her deadly, shining teeth,

As she took my soul away.

I was to never feel again,

In this state of undeath of mine,

As all I was allowed

Was loving and following her path.

Now she’s gone and I was left behind -

The sun took her away from me -

And all I have now is perpetual time,

Far away from the one whom I loved and served,

To wonder, lost, forever,

In this grim, strange land,

Howling her name in the wind and thinking of the past.

But this I cannot accept,

I shall not sustain such pain,

The sun took her away from me

But bind us together again he will,

For this bright full moon I now see

Shall be the last one to which I dance,

This, I swear, is to be my end,

And be with her, once again, I will.

In me there is only grieve and sorrow,

But, mark my words, it will all end tomorrow,

As the bright full moon dies

And the cruel bright sun rises

And takes me, dancing, into my beloved’s arms…

Once again – and truly – FOREVER

01/09/2005

O Segundo Regresso

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Voltar, 12 dias depois. Chegar a casa, desfazer a mala, passar as fotografias para o computador, guardar panfletos, pauzinhos, penas e bilhetes de recordação. Contar o que se viu, descrever o que se sentiu, explicar tudo o que se ouviu. Recordar a chegada a Londres, a simpatia de pessoas que são injustamente acusadas de frias e insensíveis, pessoas que nos abordam para perguntar de onde somos e para nos desejar uma boa estadia, gente que, se por nenhuma outra razão, cumpre a obrigação de dizer “por favor”, “obrigado” e “desculpe”. Atravessar, desta vez em pensamento, os Kensington Gardens até ao Hyde Park, falar com um velhote que alimenta os patos e os trata pelo nome próprio, apanhar o metro em Bayswater até à estação de Piccadilly Circus e ficar deslumbrado com a série de cinemas, pubs, discotecas (ou clubs, para não parecer tão foleiro…) que circundam as ruas, andar até aos poucos edifícios a que, jocosamente, chamaram Chinatown, entrar num restaurante, ficar pasmado a olhar para dois pedaços de céu em forma de olhos e receber um sorriso de "apanhei-te!", experimentar uma Guiness num pub ali perto e ficar a olhar para a janela na esperança de voltar a ver os dois pedaços de céu. Descansar, numa espelunca ideal para poupar uns trocos, e visitar aqueles monumentos, aqueles locais obrigatórios, tudo em passo de corrida, 3 dias passam demasiado depressa, quando se está a gostar. Depois, a partida. Voar, outra vez, agora na direcção do centro da Europa. Esperava-nos uma das cidades mais apetecidas do Velho Continente. Chegar, já de noite. Ser enganado por um taxista que nos levou a dar uma volta ao bilhar grande pela cidade (será que os taxistas são burlões em todo o mundo?!), mas nada de que já não estivéssemos à espera. Tentar adormecer, com receio de que se devia ter ficado em Londres no fim da viagem, Praga vai ser uma desilusão, expectativas altas de mais… Apanhar o Tram até ao centro. Começar a vaguear aleatoriamente pela cidade. Entrar numa praça, igual a muitas outras em Praga, mas como nada que alguma vez tivéssemos visto. Abrir a boca em admiração. Tirar fotografias atrás de fotografias (porcaria de máquina foleira…), embrenharmo-nos pelas ruas e descobrir um edifício imponente, lindo e antiquíssimo em cada esquina, comentar o aproveitamento daquele tipo de edifícios para fazer centros comerciais, mas realmente só há aquele tipo de edifícios, por isso nem se perde nada. Caminhar pelas ruas, à noite, em busca de um sítio agradável onde tomar um copo, oferecerem-nos “Marijuana, haxixe?” ou ainda “Sex, blow-job?” e até (e este fez-me rir como um desalmado no meio da rua!) “Hey, guys, come to this cabaret, beautiful girls, big boobies, blow-jobs, masturbation, sex shows! Midgets, sex with midgets, midgets blow-job, midget masturbation!” (Anões, pá?! Mas que raio de tarado tem fetiches com anões?!). Vaguear, vaguear, vaguear… Toda a cidade é um enorme museu, um emaranhado de ruas e ruelas delimitadas por edifícios que viveram séculos… Qualquer tentativa de descrição é vã e uma enumeração seria insuficiente, para não dizer impossível. Passar o último dia (o avião de regresso era só às 21:00) à beira-rio, a ouvir o barulho da água e a olhar para o Castelo de Praga lá ao longe… Constatar, com um travo de divertimento, que está um velhote só em cuecas a pescar dentro do rio. Lamentar não se ter visto tudo (teremos visto metade, sequer?!) e “gozar” com as pessoas que dizem que Praga se vê em 3 ou 4 dias (que disparate! Mesmo que se passe o dia a correr de um lado para o outro, a picar bilhete atrás de bilhete, o esplendor de Praga não se vê nem numa semana!). Kafka escreveu que Praga nunca nos deixa partir, é como uma mãe com garras, e que, para poder partir, seria preciso incendiar a cidade, só assim se estaria livre...

Como eu o percebo…

25/08/2005

De Praga, com amor...

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Estou ha 3 dias em Praga. Ontem cheguei a uma praca que me deixou boquiaberto. Disse ao parceiro de viagem que, se caisse, queria ficar ali. Quando chegar, coloco aqui as fotos que tiver tirado e peco desculpa pela fraca qualidade da maquina. Tambem peco desculpa pela escrita esquisita, este teclado provavelmente tem acentos e cedilhas, eu e que nao sei onde estao... Ah, e peco ainda desculpa por hoje ter acordado com saudades Dela; sonhei com Ela e nao foi nada agradavel... O pior e que me parece ser um sonho recorrente, ja tive o mesmo 2 ou 3 vezes, portanto ha possibilidades de se repetir... Mas enfim, este pedido de desculpas e para mim proprio, portanto voces estao a invadir a minha privacidade!!!
PS:Nuno, nem sei se deixe mensagem no teu blog, agora que fechou, por isso, OLA!!! ;)

19/08/2005

Ui, vai dar uma volta ainda maior!

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Ok, pronto, tenho andado afastado deste blog. Ok, pronto, tenho andado ocupado com uma vontade absoluta de inutilidade, sem preocupações, sem pensamentos incómodos, sem saudades impossíveis de matar. Ok, pronto, a verdade é que também tenho andado atarefado com preparativos para uma viagem que já há bastante tempo queria fazer (e agora começo a meter nojinho só para despertar inveja!!!eheheh): amanha, as 09:20, apanho o avião para Londres, onde ficarei até dia 23. Daí, apanho outro avião para Praga, onde ficarei até dia 30. Depois volto e chego dia 31. Fim do nojinho... ;) Com certeza que compreenderão que me ausente daqui por mais uns tempos... Mas prometo que dia 1 de Setembro aqui estarei a escrever qualquer coisinha (mais nojinho que vou meter!). Até lá, fiquem bem.
PS: aos ladrões que queiram assaltar a casa no período em que não estará cá ninguém para os receber c0m pompa e circunstância, peço apenas que aproveitem para fazer uma festinha ao meu cão (que NÃO é mais preguiçoso do que a cadela da polegar...) e lhe ofereçam um biscoitinho.

10/08/2005

Regresso

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Chegar a casa, quase uma semana depois de ter partido. Contar tudo, a quantidade de pessoas que se viu, o que se fez, o que se ouviu, como foi espectacular o concerto dos Humanos. Sentar calmamente a uma mesa e jantar. Ler as notícias dos jornais velhos que se pediu para guardar. Adormecer e acordar sem o monótono e irritante barulho de tamborzinhos. Ver as (poucas) fotografias que se tirou. Ouvir e constatar que realmente há muito tempo que não tinha este tom de pele. Pensar em como se gostou de todas aquelas novidades (estreia em festivais deste tipo...). Querer voltar. Paredes de Coura começa para a semana e a minha irmã desafiou-me a ir com ela...

03/08/2005

Ih, vai dar uma g'anda volta!

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É verdade, vou dar uma grande volta. Vou para o Sudoeste e só volto na segunda. Vá, não se preocupem, prometo voltar. Isto se nenhum pescador me tentar caçar por confundir o meu rabo com uma baleia branca... Prometo que NÃO tiro fotos a mim próprio quando estiver a fazer nudismo. Já agora, sabem dizer-me o caminho para o centro cultural?

29/07/2005

Desculpa lá, Polegar...

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...mas o meu cão (PUKI) é mais preguiçoso do que a tua cadela!

26/07/2005

Brincadeiras com a máquina de costura

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Primeira criação: verde, com gola preta.

Segunda criação: azul, com mangas brancas.

Confesso...

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Confesso, sou fraco. Viro-me na cama e desejo ardentemente encontrar lá alguém. Quero adormecer com um corpo quente nos braços, uma mão dada à minha. Confesso, sou fraco. Tacteio os lençóis com as pernas. Anseio por outras pernas para poder cruzar com as minhas. Quero sentir uma pele colada à minha. Confesso, sou fraco. Observo o outro lado da almofada. Procuro cabelos que me façam cócegas na cara e se prendam na minha barba. Confesso, sou fraco. Murmuro sentimentos na escuridão. Quero acordar com uma boca junto ao ouvido a dizer “amo-te”. Confesso… Sou fraco.

21/07/2005

Conversas nocturnas

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- …

- Olá.

- …

- Pânico de solidão? Sim, sei o que é, também já me aconteceu. Toda a gente, mesmo os mais solitários, às vezes sofre disto.

- …

- A última vez que me aconteceu, estava em casa. O meu cão tinha morrido há cerca de um mês, de velhice. Tivemos que abater a minha gata, alguns meses antes, por causa de uma doença provocada pela velhice. Tinha discutido com o meu pai (nada de novo). Não parava de ver vultos à minha volta, debruçando-se nos meus ombros, passando a correr pelas escadas estranhas, reflectidos no monitor, em todo o lado. Eles não sossegavam.

- …

- Ainda os costumo ver, sim, mas isso fica para outra altura. Comecei a tremer. Comecei a chorar. Tudo por causa do pânico de solidão.

- …

- É fácil de identificar, começas a ter arrepios e suores frios, depois tentas ouvir qualquer coisa, mas parece que não há ninguém na rua e por fim começas a sentir um peso enorme nos ombros e uma aflição tremenda.

- …

- Sentia-me perdido. Para piorar a situação, a minha rua – já de si calma – estava absolutamente deserta. Foi há alguns anos, mas recordo-me perfeitamente da sensação. Da angústia de não perceber o que se passava, porque raio é que estava assim? Estava a ler, sossegado, e de repente aquilo?! Tinha discutido com o meu pai.

- …

- Trivialidades, como quase todas as discussões com os pais. Mas, como quase todas as discussões com os pais, sentia-me uma desilusão. Sentia que não tinha saído bem como era esperado. Isso piora sempre o pânico de solidão. Pensamos sempre que estamos sozinhos porque não valemos nada, absolutamente nada. Somos menos que nada, somos um menos infinito!

- …

- Nessa altura, não tinha telemóvel ou saldo, qualquer coisa assim, e estava praticamente proibido de usar o telefone. Estava completamente sozinho e, claro, os maus pensamentos atacaram.

- …

- Fui para a garagem. Não se ouvia nada. Seria o último Homem na Terra? Teriam todos os outros morrido nalgum desastre nuclear sem eu dar conta? Ou … será que era eu que estava morto? As lágrimas aumentaram. O vento soprou e fez um barulho assustador quando bateu no telhado. De repente, uma chave rodou, o portão abriu, o meu pai entrou, e eu senti que me tiravam o peso do mundo de cima dos ombros.

- …

- É-me impossível descrever o que senti. Sei que estava quase deitado e, quando dei por mim, estava no quarto, a limpar as lágrimas. Afinal de contas, “um homem não chora” e, como eu era um puto, achava-me um homem.

- …

- O pânico de solidão ataca em qualquer altura. É fácil de resolver, mas a sensação é terrível. É por isso que, às vezes, tenho que pegar no telemóvel e mandar uma mensagem qualquer, por mais disparatada que seja, a alguém que me responda.

- …

- Sabes, para parede és muito chata! Sim, também acho curioso que tenha sido o meu pai a salvar-me…

15/07/2005

Com quem gostariam de lutar?

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Em determinadas alturas do "Fight Club", as personagens questionam-se sobre com quem gostariam de lutar.
Eu gostava de lutar com um meu professor. Ele é rico, arrogante e incrivelmente bom naquilo que faz, mas não é por isso. As raparigas da minha turma aperceberam-se de que ele tem um pénis enorme. Por inveja, seria capaz de o esmurrar até lhe saltarem os dentes.
Todos nós temos um lado mau em nós, por muito reprimido que esteja. Com quem gostariam de lutar e porquê?

Começa o segundo ano

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“WARNING

If you are reading this, then this warning is for you. Every word you read of this useless fine print is another second off your life. Don’t you have other things to do? Is your life so empty that you honestly can’t think of a better way to spend these moments? Or are you so impressed with authority that you give respect and credence to all who claim it? Do you read everything you’re supposed to read? Do you think everything you’re supposed to think? Buy what you’re told you should want? Get out of your apartment. Meet a member of the opposite sex. Stop the excessive shopping and masturbation. Quit your job. Start a fight. Prove you’re alive. If you don’t claim your humanity you will become a statistic. You have been warned… Tyler

06/07/2005

Algo simples numa ocasião simples

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Todo eu sou este ser mutável descrito no último ano. Psicótico, fingido, apaixonado, magoado, brincalhão. Do amor à raiva, da calma à fúria, todos nós vivemos, todos nós passamos por estas sensações. Todos nós sofremos mutações. Quem éramos nós há um ano atrás? Quem era eu antes do Estranho? Quem serei eu daqui a um ano? Um ano de estranheza. Um ano de textos que permitiram desabafos e isso era tudo o que se exigia deles. Seguem-se mais algumas brincadeiras, talvez textos ficcionais de personagens saídas de filmes e livros (conhecem um senhor chamado Tyler?). Seguem-se mais desabafos. "Preparar para evacuar alma..."

A este ano de estranheza, segue-se outro. Mas, espera lá! Já passou um ano desde Alcobaça?!

05/07/2005

OH!

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Não me apetece acabar a t-shirt! Afinal não gosto assim tanto daquele tom de azul-bebé! E agora? Ninguém tem um aviãozito que me possa emprestar? Acho que fiquei demasiado afeiçoado ao trabalho, i'm bored...

30/06/2005

FIM...

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... DO ESTÁGIO!!! ACABOU! ACABOU! ACABOU! ACABOU! Ah, só para lembrar: O MEU ESTÁGIO ACABOU!!! Ufa... Bem, agora começa a revolução. Hã? Ah, não, não é essa. Ainda não é já que vamos explodir antenas de comunicação e sedes de bancos. O Project Mayhem ainda não arrancou e já deviam saber que não é suposto falarmos disso. Lembrem-se das regras... Não, a revolução vai acontecer no meu quarto (e talvez vida?): arrumar material da escola, "emoldurar" caneta que me acompanhou durante 4 anos (teve que levar upgrades de fita-cola e várias recargas, mas sobreviveu!), reorganizar prateleiras de livros e dvd, gastar linhas e linhas para remodelar guarda-roupa (a máquina de costura é um brinquedo fantástico!eheheheh). Depois disso, actualizar currículo: inserir Licenciatura em Tradução e Interpretação, participação numa curta-metragem, criação de um blog e, na secção de passatempos, costura (estou viciado em fazer t-shirts e para a semana tento um casaco!). Entretanto, acho que vou retomar o exercício físico e, quem sabe, fazer do meu pai um homem orgulhoso, seguindo-lhe as pisadas e dedicando-me ao atletismo (hum... acho que vou antes seguir as da minha mãe e continuar com a costura!). Depois disso, logo se vê. Quem sabe um emprego nas caves do vinho do porto, quem sabe numa editora, posso sempre tentar ser projeccionista de filmes ou empregado em banquetes (space monkeys, you know what I mean! Há que tempos que não me lembrava de como ADORO o Fight Club! Bob had bitch tits. With enough soap, you can blow just about anything.)... Daqui a uns meses, o bichinho da tradução vai voltar a roer nos dedos e lá terei de engolir o que disse de não querer ser tradutor para já. Que se lixe! A vida começa... agora.

28/06/2005

Devaneios

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28 de Junho de 2005. Lembrei-me de escrever qualquer coisa antes de me ir deitar. Estou cansado de portas automáticas (o último trabalho do estágio arranjado à pressa para não ficar uma semana sem fazer nada...) e apeteceu-me escrever qualquer sobre a chuva inesperada que caiu há pouco. Cometi o erro de querer começar o texto com a data de hoje. Há precisamente 5 anos atrás, estava a mandar uma mensagem a alguém para tentar obter uma resposta, que se veio a revelar positiva e que me deixou muito (MUITO) feliz. Mas isso agora não interessa! Não interessa mesmo! Só daqui a seis meses poderá voltar a interessar, mas para já não!

O burburinho começa de repente. Há meses que não o ouvia e demorei um pouco a identificá-lo. É impossível descrevê-lo como algo mais do que um simples bater leve no telhado. Sim, ainda é ao de leve, a verdadeira tempestade começará mais tarde, numa outra vida talvez. E então, nessa altura, confessarei tudo, admitirei que matei o velho cego e gritarei “Villains! Dissemble no more! I admit the deed! --tear up the planks! here, here! --It is the beating of his hideous heart!” – Poe, odeio-te! Mas só nessa altura, não antes. Por agora, contenho-me, apesar de o burburinho se começar a tornar em ruído. As centopeias começam a sair dos seus refúgios. Há demasiada humidade no ar, sinto os pulmões a começar a fraquejar, sei que se aproxima a tempestade. Mas isso não me assusta. Aprendi a usar a máquina de costura, posso criar um agasalho seco se precisar. A luz vai abaixo, “at the speed of sound, to show how it all began” – Coldplay, seus nojentos! Algumas portas automáticas têm baterias que permitem o uso normal durante algum tempo. Ainda bem, não queria ficar fechado cá dentro. Olho em volta, há centopeias em todo o lado, às centenas. Sinto necessidade de berrar, mas só me saem as 8 regras do Fight Club – Palahniuk, és um parvalhão! Lembro-me do Sin City, penso na Nancy Callahan, fico excitado, tenho uma erecção, não sei o que fazer em relação a isso, mato uma centopeia que estava prestes a transformar-se no Gregor Samsa - Kafka, és um idiota e tu , Frank Miller, um chupista!

Acordo, encharcado em suor, ainda a tentar afastar centopeias. Sinto-me exausto, sujo e impotente. Felizmente que tudo isto é, ainda, um sonho, por isso, nem me vou dar ao trabalho de me desviar do tubarão que se dirige a mim. Há uma fila enorme de monstros e fantasmas que me querem atacar, mas não ligo, tudo isto é só um sonho. De manhã, vou acordar, vou lembrar-me do Mark Renton a dizer “Choose life!” e do Tyler Durden a dizer “Fuck damnation, fuck redemption! We’re God's unwanted children? So be it!” e vou saber que estou bem. Só preciso de paz e sossego para descansar.

E já agora, mato mais uma centopeia. Cambada de pêgas...

23/06/2005

Ácido sulfúrico que cai no chão

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O ácido sulfúrico, quando cai no chão, tem muita piada, toda a gente gosta muito de ver o chão fumegar e borbulhar, mas, quando começa a corroer, só se quer é fugir dali para fora...

15/06/2005

Nós...

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Deito-me no chão, com um dicionário debaixo da cabeça. O soalho não é suficientemente duro para me magoar o corpo e o dicionário tem a altura certa para me sentir confortável. Aliás, já há algum tempo que não me sentia tão confortável. Parei há pouco de trabalhar, mas, apesar do sono, não me apetece deitar já. Ouço os meus pais numa discussão amena sobre quem deverá/ deveria ganhar a Quinta das Celebridades e não consigo deixar de sorrir. Sinto o cheiro de cera passada há anos neste chão em que agora me deito. Fico de barriga para o ar, a contar os nós da madeira do tecto. Um, dois, três…

Tu vens, em silêncio. Deitas-te em cima de mim, “le parquet est trop dur”, queixas-te. “Pas de problème, j’aime quand nous sommes comme ça, tout proche. Falas e percebes português, mas este é um jogo só nosso, sem vencedores, nem estratégias de competição, é só uma brincadeira. Ergues-te um pouco e pousas as mãos no meu peito, “Quero sentir ton coeur”. Afasto-te o cabelo para trás das orelhas para ver melhor o teu rosto, “E que tal te parecem as batidas?”. Sorris, mostrando a simpatia imperturbável que te caracteriza, “Il est fort, tu ne seras mort que dans 60 années!”. Puxo-te para mim e aperto-te num abraço de que não consegues nem queres escapar, “Donc j’ais encore 60 années pour t’aimer, gros ennui!”. Bates-me ao de leve num ombro, fingindo raiva pela resposta, “Embrasse moi…”

Perdi a conta aos nós do tecto, vou ter de começar tudo de novo… Um, dois, três…

12/06/2005

"Amor ou consequência"

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Quem és tu, estranha, que me entras no quarto enquanto escrevo estas linhas? Quem és tu, estranha, que te passeias atrás de mim, apontando para todos os objectos do meu quarto e perguntando “qu’est ce que c’est ça?”? Quem és tu, estranha, que te encostas a mim, a espreitar por cima dos meus ombros, a tentar ler o que escrevo? Quem és tu, estranha, que sorris enquanto me dizes baixinho “Je suis folle de toi...”? Quem és tu, estranha, que me beijas o rosto à procura dos meus lábios enquanto perguntas suavemente “Tu connais Édith Piaf?”? Quem és tu, estranha, sentada agora no meu colo, de olhar profundo colado ao meu, a cantar docemente:

“Des yeux qui font baisser les miens
Un rire qui se perd sur sa bouche
Voilà le portrait sans retouche
De l'homme auquel j'appartiens

Quand il me prend dans ses bras,
Il me parle tout bas
Je vois la vie en rose,
Il me dit des mots d'amour
Des mots de tous les jours,
Et ça me fait quelque chose
Il est entré dans mon cœur,
Une part de bonheur
Dont je connais la cause,
C'est lui pour moi,
Moi pour lui dans la vie
Il me l'a dit, l'a juré
Pour la vie.
Et dès que je l'aperçois
Alors je sens en moi
Mon cœur qui bat.

Des nuits d'amour à en mourir
Un grand bonheur qui prend sa place
Les ennuis, les chagrins s'effacent
Heureux, heureux pour mon plaisir

Quand il me prend dans ses bras,
Il me parle tout bas
Je vois la vie en rose,
Il me dit des mots d'amour
Des mots de tous les jours,
Et ça me fait quelque chose
Il est entré dans mon cœur,
Une part de bonheur
Dont je connais la cause,
C'est lui pour moi,
Moi pour lui dans la vie
Il me l'a dit, l'a juré
Pour la vie.
Et dès que je l'aperçois
Alors je sens en moi
Mon cœur qui bat.
"

“La vie en rose”, de Édith Piaf

07/06/2005

Há muito, muito tempo...

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...era eu uma criança. E amava-a. Pensei em escrever uma mensagem aos amigos; confessar-lhes que, apesar de tudo o que possa dizer ou mostrar, a verdade é outra. Claro que todos sabem exactamente aquilo que penso e sinto, lêem-no nos meus olhos. Mas são suficientemente educados para saber que aquilo de que eu não falo, é para ser mantido em silêncio, sou eu que tenho de tomar a iniciativa de dizer: "Sabes, eu ainda gosto dela... Na verdade, não há um dia em que não pense nela, em que não me lembre de como ela é uma pessoa incrível! Eu sei que é um cliché estar a dizer que a pessoa que amo é formidável e tudo o mais, mas, quando penso nela, mesmo depois das coisas estúpidas que ela tem feito para se vingar, não consigo deixar de sentir que fiquei sem uma pessoa que realmente me faria feliz. Mesmo quando penso noutras pessoas, quando tento afastar um pouco as saudades a dizer “Olha, aquela é mesmo gira! Será que a posso levar para casa?”, a verdade é que, invariavelmente, acabo a noite a pensar nela. Vidas!”; e então volto a calar-me sobre este assunto, durante meses. E durante meses, eles, os amigos, sabem que não é suposto voltarem a tocar no assunto, porque a única resposta que teriam, seria um evasivo “Acho que ela está bem, mas já não falamos há meses, desde Janeiro…”

A verdade é que ainda a amo. A verdade, e cometi o erro de o admitir perante ela, é que tenho a certeza que um dia vou conhecer alguém que, olha, pronto, até gosta de mim, e, ok, eu também gosto dela, e, que remédio, lá nos vamos casar/juntar/amancebar/viver em pecado e ter filhos, e eu vou amar muito essa família porque vai ser a minha família, mas, infelizmente, os fantasmas dela, da Rita e do Miguel vão estar sempre lá.

Apetecia-me mandar isto a uma pessoa que normalmente leva com estes desabafos a horas tardias, mas essa pessoa, em princípio, está com o namorado que veio uma semana de férias do seu emprego de 3 anos na Bélgica… Nem tenho coragem de incomodar...

Também me apetecia sair de casa e desatar a correr, como um maluco, a correr sem parar, a toda a velocidade, com saltos pelo meio, até chegar a uma rua que percorri bastantes vezes acordado, mas muitas mais em sonhos… Mas está muito calor para isso.

Ainda a amo, sim, mas, porra, não posso estar há espera que isso passe. E ela também não. Porque senão nunca mais falamos um com o outro! Acho que ela está bem, mas já não falamos há meses, desde Janeiro…