15/05/2005

A estranheza do estranho

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Farto de traduzir “coisas”, peças frias de bombas e tanques de águas residuais (foram cerca de 90 mil palavras durante mês e meio...), resolvi traduzir uma música dos Muse que, francamente, descreve parte da minha nova alma que choca com a minha velha alma (quantos estranhos tenho na cabeça? quantas almas controlam estes dedos? por quantas personalidades terei de passar para me sentir satisfeito? qual de nós tem de se sentir satisfeito?).

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Bliss (Felicidade)

Tudo em ti é como eu quero ser

A tua liberdade surge naturalmente

Tudo em ti ressoa felicidade

E agora não me contento com menos.

Dá-me toda a paz e alegria da tua alma.

Tudo em ti fere a minha inveja

A tua alma é incapaz de odiar o que quer que seja

Tudo em ti é tão fácil de amar

Eles observam-te lá de cima.

Dá-me toda a paz e alegria da tua alma.

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Claro que não está a letra completa, mas chega a uma determinada parte em que se repete, por isso não vale a pena… repetir?

Ok, aderi à moda...

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The Idealist

You are creative with a great imagination, living in your own inner world.
Open minded and accepting, you strive for harmony in your important relationships.
It takes a long time for people to get to know you. You are hesitant to let people get close.
But once you care for someone, you do everything you can to help them grow and develop.

You would make an excellent writer, psychologist, or artist.

(Eu, hesitante em deixar as pessoas aproximarem-se?! Deixa-me rir! ... Bolas, é verdade...)

04/05/2005

24 horas de consciência

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Madrugada, entre o mar e o jardim. Dezenas de corpos saltam em uníssono, uns equilibrados, outros a apoiarem-se em copos ou contra a madeira mal pregada de uma barraca. Cinco ou seis animadores puxam pelo momento, fazem-nos agitarmo-nos ao som de espécies de música, não interessa, os copos continuam a saltar com os corpos. Outros corpos, em busca de outras espécies de música e de copos, acotovelam-se para passar. Uma calcadela aqui, um empurrão ali, uma ameaça de um encontrão um pouco mais violento, não interessa, todos se divertem, todos estão contentes, todos saltam ao ritmo de espécies de música e de copos. De súbito, reparo numa série de luzes por trás dos animadores. Cegam-me. É então que percebo que os meus saltos, que a minha alegria não é provocada pelos copos. Já o devia ter percebido pela alegria moderada, mas quis acreditar que era apenas por não estar habituado a dançar e muito menos a festejar. É então que me apercebo de estar consciente. É então que me apercebo de uma outra luz, a passar ao longe, afastada dos corpos e, agora, dos copos. Uma ambulância tentava avançar. Consciência. Paro, de repente, de saltar. Estou sozinho, rodeado de um mar de gente que nem se apercebe de que, naquele momento, alguém acabou de sucumbir ao ultrapassar do limite. Talvez, realmente, me tenha esquecido de como me divertir. Dou por mim a pensar que talvez nunca me tenha, realmente, divertido. Sei que a vida que vi não é vida, pelo menos não a que eu quero, mas também sei que, naquele momento, eu era a pessoa mais triste, ou melhor, a menos alegre que estava naquele recinto. Sei-o porque o vi, porque o senti. Porque estava consciente e porque confirmei de que preciso de muitos mais copos do que os que segurei para deixar a consciência. Beber para esquecer? Sorte tem quem consegue, mas eu não preciso de esquecer para viver. Não preciso de alguém para me segurar o cabelo enquanto vomito, preciso é que estejam comigo nestes momentos de festejo, porque eu tento – e quero acreditar que consigo – divertir-me, mas compreendam isto: eu fico consciente e a minha diversão acaba quando me apercebo disso. Maneiras de ser diferentes? Maneiras de ver a vida diferentes? Oh amigo, tem que ser, não é?!

26/04/2005

Faltam 12 horas...

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... para a minha apresentação de seminário relacionado com tradução de poesia. Sem stresses, vou agora aparar a barba e o cabelo. Depois lavo os dentes e termino a sessão de higiene tomando um belo duche. O que faço depois, logo se vê, mas uma coisa é certa: posso até reprovar, mas ninguém me acusa de cheirar mal!

24/04/2005

1ª página de um trabalho de seminário sobre tradução de poesia...

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A poesia está mais profundamente enraizada na nossa consciência do que nos apercebemos. Desde cedo, somos embalados ao som de palavras carinhosas, sussurradas ao de leve pelos nossos pais para conseguirmos adormecer; na escola, criámos lenga-lengas com rimas para nos ajudar a decorar reis, rios, gramática e até a tabuada, que, recitada num certo tom, parece surgir melhor na nossa cabeça.

Todos nós tentámos, em algum ponto da nossa vida, ser poetas. Seja porque aquela pessoa especial nos tratou mal e lá fomos nós a correr fecharmo-nos no quarto a escrever linhas e linhas de disparates (ou não), seja porque um dia acordámos e pensámos “Ei, eu acho que tenho qualquer coisa a dizer ao mundo!”.

Não se sabe ao certo quando nasceu a poesia. Talvez com a escrita, talvez com o próprio homem. Sabe-se que fascina, que faz sonhar, que por vezes acalma e por vezes desperta a mais profunda das tristezas. Fala de Amor, de Morte, de Solidão, de tudo o que existe e até do que não existe, dos nossos sonhos. Mas a verdade é que é impossível definir ao certo o que é poesia. Segundo o dicionário, a poesia é um substantivo feminino e “1 – arte que se distingue tradicionalmente da prosa pela composição em verso e pela organização rítmica das palavras, aliada a recursos estilísticos e imagéticos próprios; 2 – composição literária em verso; 3 – conjunto das obras em verso, escritas numa língua ou próprias de uma época, de uma escola literária, de um autor, etc.; 4 – característica poética que pode estar presente em qualquer obra de arte; 5 – carácter daquilo que, por ser considerado belo ou ideal, desperta uma emoção ou sentimento estético; 6 [fig.] harmonia; 7 – [fig.] inspiração (Do grego polesis)”.

Seguindo esta ordem de ideias, eis então um poema:

Ei, eu acho que tenho qualquer coisa a dizer ao mundo!, de O Estranho.

Não se sabe ao certo quando nasceu a poesia.

Talvez com a escrita,

Talvez com o próprio homem.

Sabe-se que fascina,

Que faz sonhar,

Que por vezes acalma e por vezes desperta

A mais profunda das tristezas.

Fala de Amor,

De Morte,

De Solidão,

De tudo o que existe e até do que não existe,

Dos nossos sonhos…

19/04/2005

Carência

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Acabei de chegar, vindo não sei bem de onde. Sei perfeitamente quem lá esteve comigo, mas é com quem não esteve lá que quero falar. Entro em casa, tiro as sapatilhas ("Sempre as mesmas!"), afago a cabeça do meu cão que me olha de lado como se dissesse "Já posso dormir sossegado? Aproveita para fechar a porta do jardim, tenho frio! Prometo que não faço nada durante a noite." - os olhos do meu cão são muito expressivos. Entro na cozinha e como um cacho de uvas, enquanto volto a lembrar-me de que realmente tenho saudades de jogar futebol no Castêlo. Subo ao quarto, às escuras. Vejo que a televisão dos meus pais ainda está ligada, mas não digo nada, algum deles pode já estar a dormir. O meu quarto... Olho para a cama. Terrivelmente vazia! Uma frase que disse há algum tempo repete-se agora na cabeça: "Quem me dera que estivesse ali alguém à minha espera" ou, melhor ainda, "Quem me dera que estivesse alguém ao meu lado a preparar-se para também se deitar naquela cama!" Enfim...

O que farias se te agarrasse neste momento e te beijasse?

06/04/2005

Gosto...

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… de me levantar cedo para aproveitar a manhã e fazer as coisas de que gosto; gosto de traduzir; gosto de ler; gosto de jogar futebol, apesar da falta de jeito e de quem jogue comigo; gosto que o meu pai tenha tentado arranjar-me lugar numa equipa de futsal da 1ª divisão por se preocupar com a minha saúde; gosto da liberdade que dá fazer piadas sobre a homossexualidade com um homossexual; gosto que a turma se ria quando digo que “na conclusão, vou concluir…”; gosto de ver filmes; gosto de ficar apático a pensar durante horas depois de ver um filme; gosto de não fazer nada em frente ao computador; gosto de passear à beira-mar; gosto de brincar com o meu cão, apesar de ele me ferrar nos braços; gosto de gatos; gosto de cavalos; gosto de ver séries e filmes de aventuras e depois imaginar-me no lugar do herói; gosto de fazer planos para as férias, mesmo duvidando de que se vão concretizar; gosto de discutir no estágio e defender bem as escolhas de tradução que fiz; gosto de ver a entidade patronal tentar contrapor e começar a gaguejar até encontrar um argumento; gosto de andar, enquanto ouço o barulho da cidade; gosto de iogurte de frutos silvestres que têm pedaços; gosto de Frize limão; gosto de chá verde; gosto de sushi; gosto de comer sushi; gosto de comer sushi com algumas pessoas do ISAI; gosto de uma rapariga que chega atrasada ao estágio por querer estar com os amigos; gosto de um rapaz que só diz disparates porque só quer que gostem dele; gosto de uma rapariga branquinha que se sente “gorda, balofa” e que quer emagrecer; gosto que gostem de mim; gosto de ficar deitado na cama, de barriga para o ar, a olhar para o tecto, a pensar na vida e no dia; gosto de sentir que ainda não sou um adulto; enfim, gosto de escrever disparates por sentir que o dia me correu bem…

01/04/2005

Ufa...

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Que alívio finalmente ter acabado a semana que passei em modo "trabalhar até os olhos saltarem das órbitas"! Agora, depois de um dia em modo "dolce fare niente", volto ao trabalho em modo "normal", com mais calma, sem fazer as coisas à pressa, a ter tempo para ver blogs, para dizer olá nesses blogs e retomar a aprendizagem de checo... Ufa... Isto de ser máquina pode ser tramado, pá!

Little Boy has no name

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There is a little boy inside of us,

He lives in all that breathe.

Little boy has a father,

One that cares not for him;

Little boy has no mother,

No one ever looked after him.

Little boy has no name,

Not even a number,

No one can call him out to play.

Hide-and-seek would be his favourite game,

But for now he plays alone in shame.

22/03/2005

Penitência...

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Penitência

... porque o dia começou mal, melhorou e depois voltou a piorar; porque tive um sonho doloroso, como nunca antes tive, mas que me deu uma sensação reconfortante; porque não sei (outra vez) o que fazer; porque já não escrevia há muito tempo; porque me disseram que estavam "fartos" de ver a palavra "Paz"; porque já não me sinto em paz; porque não respondi a e-mails; porque sou uma besta; porque me apetece e não tenho outra solução a não ser penitenciar-me.

Compreende, tu que nunca lês isto e que não me respondes, sinto-me completamente despedaçado!

08/03/2005

Paz

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Quero dormir. Quero poder deitar a cabeça na almofada e adormecer imediatamente. Não quero passar mais uma noite de um lado para o outro a pensar que a casa da minha irmã ficaria mais engraçada se os quartos não estivessem onde estão, que estranhamente recebi um toque estranho, que o ISAI tem sido um antro imenso de incompetência e egoísmo, que devia ter usado outra palavra numa tradução que fiz há meses, que o olho esquerdo volta e meia chora e dá-me dores de cabeça, que me devia esforçar mais e mais e mais para o estágio, que não devia ter usado aquela palavra numa tradução que fiz no 2º ano, que não devia ter mentido tanto, que não devia ter ligado a NINGUÉM nas vésperas de ir a Alcobaça, que nunca devia ter fugido do jogo que arbitrei na 4ª classe só porque me disseram que era falta, que não devia ser tão calado, que não devia falar tanto, que não devia usar tantas reticências, que... Ora bolas... Já passa da uma e ainda não estou a dormir... Ninguém tem por aí um Xanaxezinho que me arranje? Pensando melhor, acho que prefiro Valium...

24/02/2005

Olhos Verdes

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green

Olhos verdes pela Luz engrandecidos,
feitos de preciosas
e raras estrelas.

Olhos verdes de vastidão,
onde não se reflecte a luz baça do Céu, só o calor da paixão,
Só a cor brilha,

o Verde, a cor da inveja (e da Esperança?).


Olhos inocentes por que a alma implora,
trazem com eles transparência de mar,
alegria de jardim
e Luz que ofusca

A vida imersa em trevas!

E aqui estou eu,
preso ao teu Verde,

expectante e ansioso,
fácil na tristeza e na solidão,
com versos sem nexo, nem rima, nem razão.

O Verde tudo muda.

22/02/2005

Um dia diferente

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Sorrio, enquanto lágrimas me escorrem pela cara. Já quase não vejo nada, mas sinto uma leve comichão que começa a surgir no canto do olho (isto não é uma evocação de nenhuma música…). Mas estou a sorrir. Enquanto ouço a chuva escorrer pelas janelas (finalmente um pouco de chuva! Os bomtempo-dependentes que me perdoem, mas, BOLAS! Que saudades de ver o dia um pouco menos claro!) não consigo deixar de pensar que irónica que é a vida… Enquanto os meus olhos se fecham lentamente, fartos do ardor provocado por uma idiotice chamada ExOcin (hum… acho melhor tentar descobrir porque é que o rótulo diz “estéril” num canto…), sinto que a alma, mais uma vez, se abre. Mais do que abrir, ela flutua! Neste estado, não sinto dor. Consigo ver-me sentado numa cadeira em frente a um monitor; vejo também os vultos que sempre me rodeiam (agora percebo o que querem e porque não me deixam em paz…); vejo a minha mãe a começar a preparar o jantar e o meu cão à beira dela, na esperança de que caia alguma coisa para mostrar que é mais rápido do que a dona… Paro um pouco no telhado. Sento-me nas telhas molhadas, fecho os olhos e deixo que a chuva me caia pela cabeça. Lá se vai o penteado! Como se isso fosse importante… Reabro os olhos e, diante de mim… a vida. Vejo um pássaro, ao longe, desesperado por cobrir o ninho. Vejo uma árvore que dança ao som do vento. Vejo a silhueta de uma jovem que se veste em frente à janela e vejo também o vizinho que ela tenta seduzir. Sorrio ainda. Levanto-me, olho para cima, fixo uma nuvem mesmo por cima de mim. Distingo uma gota no preciso momento em que ela se desprende das outras gotas que formam esses pedaços de algodão flutuantes. Acompanho o seu trajecto até à minha testa. O seu toque desperta-me os sentidos como o beijo da mulher amada ao acordar. Lentamente, começo a minha viagem. Ergo-me cada vez mais nos céus. Vejo as casas de velhos amigos, algumas agora desabitadas, e vejo as casas de amigos de agora. Vejo a casa emprestada de uma amiga e imagino onde estarão as outras três oficiais (que complicada é a vida de filhos de pais separados…). Vejo as cidades onde essas pessoas moram, vejo o país onde estão essas cidades, constatando, com um misto de pena e sarcasmo, que Portugal está tão perto de Espanha. Enquanto subo mais e mais, confirmo que o meu país, o nosso país realmente faz parte da Europa… vejo África logo abaixo e ao lado, imaginem!, começa o Oriente, o dos Árabes e o dos Asiáticos, e, acreditem ou não, do outro lado ficam as Américas, e nos topos só se vê neve e, OLHA!, pinguins! Que engraçados… Atravesso agora a camada de ozono, começa a ficar mais frio… Começo a ver a Terra em toda a sua largura… Ouvi dizer que o planeta ficou mais redondo depois da tragédia do maremoto, mas não noto diferença… Pouso na Lua, sento-me numa das suas crateras e volto o meu olhar para a minha casa. O meu corpo ainda lá está, em frente ao monitor. O meu pai chegou a casa e beijou a minha mãe, como sempre fez em 26 anos… O planeta Terra parece-me tão pequeno agora… Tão imóvel e sossegado… Sorrio. Apetece-me cá ficar por uns tempos. Até já. Devia ter trazido as gotas para os olhos...

17/02/2005

Os dois Fantasmas

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Tenho dois fantasmas diante de mim, um ri, o outro chora. Falam comigo numa língua que já não ouvia há muito tempo; das suas bocas, é o som da minha própria voz que sai. Falamos a noite toda, trocamos ideias, contamos segredos, revelamos medos. Ao amanhecer, ambos se levantam e cada um pede-me que o acompanhe. Um chora, o outro ri. Um estende-me a mão, o outro aponta-me um caminho pela janela do quarto. Na mão de um está traçado um mapa, linhas que mostram um caminho, um caminho quase igual ao que vejo pela janela, mas mais pequeno, mais difícil de ver e de seguir. O que se vê da janela é mais luminoso e atractivo, mas mais longo e cansativo. Um ri, o outro chora. Perco-me em hipóteses, hesito em “Ses”, consumo-me em planos, projectos e sonhos e já não sei qual dos fantasmas chora e qual ri. Fundiram-se e dirigem-se a mim, agarram-me, invadem-me, violam-me o corpo e a alma, destroem o ser que sou. Agora, mais não sou do que um fantasma como eles… Mas eu rio e choro ao mesmo tempo.

11/02/2005

FIGHT CLUB

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1st RULE: You do not talk about FIGHT CLUB.

2nd RULE: You DO NOT talk about FIGHT CLUB.

3rd RULE: If someone says "stop" or goes limp, taps out the fight is over.

4th RULE: Only two guys to a fight.

5th RULE: One fight at a time.

6th RULE: No shirts, no shoes.

7th RULE: Fights will go on as long as they have to.

8th RULE: If this is your first night at FIGHT CLUB, you HAVE to fight

07/02/2005

Juíza de Deus

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Anjos vieram buscar-me esta noite, anjos nus e sem rosto que me levaram até às estrelas, até à Juíza de Deus. Ela esperava-me lá, para me julgar e condenar. Era um anjo também, um anjo de olhos castanhos, cheios de raiva... não... raiva, não... desilusão... sim... Desilusão e sede de vingança! A minha existência atormenta-a e por isso devo deixar de existir, de sentir, de estar vivo para o mundo. Num ápice, aponta-me a lança que trespassou Cristo e avança, rápida, silenciosa, fria. Mas... A um metro de mim detém-se. Uma lágrima escorre-lhe pelo rosto, caindo na Terra e provocando chuva, uma chuva que limpa o mundo de impurezas. Percebo que não é capaz de me matar... Então, movido por um impulso, beijo-a, enquanto lhe tiro a lança das mãos. Quando os nossos lábios se separam, digo-lhe adeus e peço-lhe desculpa. Cravo a lança no meu peito e a última visão que tenho são os olhos dela... castanhos... tristes... arrependidos...


24/01/2005

Nem acredito nisto...

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Francamente... Estou um pouco tonto como que acabei de ler.

http://blocoesquerdaprocaralho.blogspot.com/

É incrível até onde pode chegar a estupidez humana! Ok, todos temos direito à nossa opinião, mas, francamente, será que também devíamos dar voz a pedras?! Se bem que isto não são propriamente pedras, são montes de (sempre evitei usar palavrões n'O Estranho, mas agora não dá!) MERDA! É gente a quem fazia falta outro buraco para cagar (desculpem mais uma vez...), podia ser que ficassem mais leves da cabeça... E o pior é que este bando de anormais começa a aumentar cada vez mais e, muito sinceramente, mereciam ter um tratamento do estilo aparecerem aqui os muçulmanos que expulsámos durante as Cruzadas a dizerem "Este país é nosso!" e corriam todos a pontapé!

Sei o que isto implica, sei que é um comentário um pouco idiota e parvo da minha parte, mas esta gente precisava de sofrer o que sofreram todos os que não eram arianos durante a II Guerra Mundial.


23/01/2005

Pedaços de mim IV

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olhos

Acordo de repente, sem saber ao certo onde estou. Procuro-te na escuridão, mas há muito que partiste. Tenho os olhos bem abertos, mas tudo o que vejo em meu redor são vultos. Da tua presença já só resta a imagem que foi gravada a fogo na memória. (Minto! Tenho ainda o cheiro da tua pele misturado com o meu, tenho a tua voz a ecoar-me nos tímpanos e tenho o sabor da tua língua a embriagar-me a boca de prazer.) Tenho os olhos bem abertos, abertos desde o imutável passado até ao infinito futuro. Não sei bem onde estás e por isso não vejo bem o caminho por onde devo seguir. Mas sigo em frente, pelo meio do nevoeiro em que se tornou a vida, sigo, relutante e inseguro, até te encontrar, até que o teu olhar se volte a cruzar com o meu, até que a tua boca se una à minha, até que o teu corpo se funda com o meu, até que as nossas almas se voltem a tocar… e então, elas dirão, baixinho, num sussurro:

AMO-TE. ÉS UM PEDAÇO DE MIM…

20/01/2005

Pedaços de mim III

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orelhas

Surdo. Por vezes é assim que me sinto. As vozes multiplicam-se e espalham-se por todo o lado, mas não consigo perceber o que dizem. São palavras ocas, sem sentido, suspensas e descontextualizadas. Perdi quase por completo o interesse naquilo que me dizem. Nada do que ouço me atrai. Há uma voz desaparecida e é essa voz que me faz falta. O resto é ruído. Essa voz só surge quando ouço música. Porque a música faz-me voar e lembrar e sonhar… Mesmo que não te ouça, TU estás sempre aqui…

15/01/2005

Pedaços de mim II

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nariz

O ar é quase palpável. Este aroma doce e quente, conheço-o bem. É o cheiro de dois corpos que passaram a noite juntos. É o cheiro da paixão, do amor que se exprime com gestos, movimentos e olhares. Este cheiro é inebriante. Este é o cheiro dos morangos.