01/08/2004

Hoje...

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...é o meu último dia de férias. Amanhão começo os meus dois meses de estágio que só acabam quando começar o próximo ano escolar. Não sei porquê, mas decidi dedicar este dia à tradução. Por isso é que "postei" uma tradução que fiz de "The Raven" do Poe, um dos meus escritores favoritos, e um texto do José Luís Peixoto dedicado a uma tradutora. Espero que a minha tradução não esteja tão má quanto isso... Afinal de contas, amanhã é o primeiro dia do resto da minha vida. Que cliché! :)

A Tradutora

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tu lês. antes de ti, ela muda as palavras. antes dela, eu escrevo. eu passei por aqui, ela passou por aqui, tu passas agora por aqui.
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entendes isso? ela está onde tu estarás. eu estou onde ela estará. eu corro pelas palavras, ela perseque-me. tu corres atrás de nós para nos veres correr.
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eu escrevo casa e continuo pelas palavras. ela segura as letras da casa e escreve vida. tu lês vida e entendes casa e vida. eu não sei o que entendes.
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eu corro. ela corre atrás de mim. tu corres atrás dela.não existimos sozinhos. sorrimos quando paramos, quando nos encontramos. aqui.


José Luís Peixoto, in A Casa, a Escuridão

O CORVO, de Edgar Allan Poe

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Numa meia-noite agreste, enquanto reflectia, fraco e tonto,

Num livro excêntrico e curioso de lendas esquecidas,

Já cabeceava, quase adormecido, quando de súbito ouvi um ruído,

Como se alguém batesse ao de leve, batesse ao de leve à porta do meu quarto.

“É alguma visita – murmurei – a bater à porta do quarto,

Apenas isso e nada mais.”

.

Oh, como me lembro desse Dezembro gélido

E de como as brasas espalhavam ainda as sombras pelo quarto.

Ansiava pela alvorada; em vão tentei encontrar nos livros

Alívio para a dor, dor pela morte dela,

A única e deslumbrante donzela a que os anjos chamam Lenore,

Perdida agora para sempre.

.

Como me assustava o esvoaçar incerto das cortinas púrpura,

Como me sufocavam de terror que nunca antes sentira;

E repetia a mim mesmo, tentando acalmar o espírito,

“É alguma visita que pede para entrar,

Uma visita tardia que pede para entrar,

Apenas isso e nada mais.”

.

E com isso ganhei forças, não mais hesitando:

“Meu senhor ou minha senhora – disse eu – decerto me desculpareis,

Mas a verdade é que dormitava, e batestes tão levemente,

Tão suave foi o vosso bater à minha porta,

Que quase não vos ouvia” – e quando abri a porta,

Vazio e nada mais.

.

Ali fiquei a fitar o vazio, a pensar, a temer,

A duvidar, a sonhar o que nenhum mortal ousara sonhar antes;

Mas o silêncio manteve-se, e o vazio não se alterou,

Apenas uma palavra foi sussurrada: “Lenore!”

Isto sussurrei e isto o eco me respondeu: “Lenore!” –

Apenas isto e nada mais.

.

A meu quarto regressado, toda a minha alma ardia,

Quando de novo uma pancada soou, uma pancada mais forte do que antes.

“Seguramente – disse eu – seguramente há algo à minha janela;

Vejamos então o que está nela para este mistério desvendar;

Possa o meu coração acalmar-se um pouco para este mistério desvendar;

Será o vento e nada mais.”

.

Abri então a vidraça, e eis que, lesto e gracioso,

Entrou um grave corvo dos sagrados tempos de antanho;

Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,

Mas, com trejeitos de realeza, penetrou em meu quarto,

Pousou num busto de Atenas que há em meu quarto,

Pousou, sentou-se e nada mais.

.

E esta ave negra fez sorrir a minha amargura,

Pelo aspecto grave e sério com que se apresentava.

“Tua plumagem está velha e gasta – disse eu – mas teu porte é altivo.

Diz-me, oh corvo sinistro fugido das trevas infernais,

Diz-me qual o teu nome lá nas trevas infernais!”

Disse o corvo: “Nunca mais.”

.

Pasmei ao ouvir o estranho pássaro falar tão habilmente,

Ainda que a sua resposta nenhum sentido fizesse;

E ninguém pode discordar de que nunca houve alma

Que tenha tido pousada em seu quarto ave –

Pousado no busto do seu quarto ave ou bicho,

Com o nome “Nunca mais”.

.

Mas o corvo, do alto do seu busto, nada mais dissera,

Como se naquelas palavras houvesse perdido a alma.

Do busto, nenhum outro som desceu, nem uma pena se mexeu,

Até que desdenhei, quase desprezei: “outros que tais passaram antes;

De manhã, terás ido, tal como o fizeram no passado as minhas esperanças.”

Respondeu o corvo: “Nunca mais.”

.

Perturbado por tal resposta merecida,

“Com certeza – disse eu – isto que solta é tudo o que sabe.

Terá aprendido com algum dono que o destino impiedoso

Forçou a proferir até à hora da sua morte,

Até que o coração no seu peito batesse

Nunca mais.”

.

Mas, sorrindo ainda com a postura da ave,

Prontamente me sentei defronte dela, do busto e da porta;

E do local em que me encontrava, comecei a pensar,

A pensar no que queria esta ave agoirenta dos tempos de antanho,

Esta sinistra e grave ave agoirenta dos tempos de antanho,

Dizer com aquele “Nunca mais”.

.

Nisto reflectia, sem palavra murmurar

À ave que agora os olhos cravava na minha alma;

Nisto e em mais pensava, com a cabeça recostada

No veludo da cadeira que a luz iluminava,

Veludo pela luz iluminado no qual

Ela se recostaria, oh, nunca mais!

.

E então o ar tornou-se denso, perfumado por algum incenso

Aceso por anjos cujos passos soam a música.

“Maldito – bradei – deu-te Deus, deu-te Deus, por anjos que enviou,

Esquecimento, esquecimento e alívio das recordações de Lenore!

Toma-o, oh, toma este gracioso alívio e esquece a perdida Lenore!”

Disse o corvo: “Nunca mais”.

.

“Profeta! – disse eu. Criatura demoníaca! Profeta ainda que ave ou demónio!

Se aqui por Diabo enviado ou de tempestade refugiado,

Neste audaz lugar desolado, nesta vazia terra amaldiçoada,

Nesta casa pelo terror assombrada, diz-me a verdade, imploro-te,

Haverá… haverá alívio no Purgatório? Diz-me, diz-me, imploro-te!”

Disse o corvo: “Nunca mais.”

.

“Profeta! – disse eu. Criatura demoníaca! Profeta ainda que ave ou demónio!

Pelo céu que se estende acima de nós, pelo Deus que ambos tememos,

Diz a esta alma sufocada pela dor se, no longínquo Paraíso,

Abraçarei uma abençoada donzela a que os anjos chamam Lenore,

A única e deslumbrante donzela a que os anjos chamam Lenore.”

Disse o corvo: “Nunca mais.”

.

“Que essas palavras te levem, ave ou diabo – urrei, ordenando –

Torna à tempestade e às trevas infernais!

Não deixes pena que prove a mentira que disseste!

Deixa a minha solidão incólume! Abandona o busto que há em meu quarto!

Retira da minha alma a tua voz e do meu quarto a tua presença!”

Disse o corvo: “Nunca mais.”

.

E o corvo, nunca se mexendo, está ainda pousado,

Pousado no busto de Atenas que há em meu quarto,

E os olhos dele são como os de um demónio que sonha,

E o candeeiro que arde por cima dele lança a sua sombra no chão,

E a minha alma, daquela sombra que ali jaz no chão,

Erguer-se-á … nunca mais!

29/07/2004

Seria tão bom

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Poucas pessoas sabem disto. E não há problema de escrever isto aqui porque poucas pessoas cá vêm! Ainda bem... Mas como estava a dizer, poucas pessoas sabem qual é o meu grande sonho. Um sonho que tenho desde criança, como toda a gente tem, e um sonho que, suponho eu, todos nós tivemos em algum momento da nossa infância: voar. O meu maior sonho era poder voar. Não num avião, mas voar mesmo, sem qualquer mecanismo. Simplesmente levantar vôo e partir. Voar por cima da terra, à procura de um qualquer lugar semi-paradisíaco; voar por cima das cidades, a observar o que fazem, afinal, estas pessoas todas que cá moram.Voar, simplesmente voar. Desde que comecei a Pensar que acho que isto é uma vontade reprimida de fugir. Hoje suponho que seja uma maneira de ver alguém. Se calhar isto até é um desejo de bisbilhotar o que os outros andam a fazer!
Não... Acho que é mesmo vontade de ver alguém...
Seria tão bom voar...


28/07/2004

No que dá adicionar um novo link!

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Files published... 50%
This may take a few minutes, if you have a large blog.

Eh pá, já me disseram muita coisa sobre o meu corpo - Sempre mal, pá! Tenham pena do Estranho, pá! -, mas é a primeira vez que me dizem que tenho um grande... blog...


Foi diferente

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O dia até nem está a ser mau! Vim agora de um mini-festival de curtas, com algumas curtas melhores do que outras, mas eu não critico! Nada, mesmo! Hoje fartaram-se de me chamar Estranho, pá, mas o que realmente é estranho é que parecia que era suposto eu ficar ofendido com isso! Eh, pá, oh JB (não te ofendas que não te estou a chamar whisky!), chama-me Estranho à vontade, agora andar pr'aí a dizer que eu como pernas de pau, isso não! As pessoas ainda pensam que eu sou estranho, pá... Então esse curso?!

26/07/2004

Sinais de vida

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Pois é, pois é...

21/07/2004

O país irmão

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O Brasil é um país que nunca me disse muito, mas começo a gostar muito dele...
Obrigado...

Será que...

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...é muito mau se eu admitir que tenho medo do futuro? Será que é muito mau se esse medo for provocado pela absoluta incerteza do que futuro me reserva? Será que é muito mau se estiver disposto a não viver mais por causa dessa incerteza? Será que é muito mau admitir que tu, querida e amada Estranha, tens o terrível poder de decidir se vivo ou morro? Hoje é o dia da tristeza e das dúvidas. Viva a Alegria, viva a Felicidade, viva a prostituta da Vida, que sai sempre mal!

Será que...

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...alguém me pode dizer qual é o sentido da vida? Ou até se tem sentido?! E se tem, como saber se vamos no sentido correcto? E, por favor, não me mandem ligar para a Tele-amizade ou para qualquer outro serviço de ajuda de valor acrescentado e isso inclui a Linha Deus, o Tele-confessionário, a Linha da Maya e outros que tais...

A doce Melancolia da tarde

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A doce Melancolia da tarde torna-se num vício,

Uma droga que faz tremer o espírito

(pouco habituado ao alívio da felicidade).

 

As grandes tardes trazem Abandono consigo,

longe dos amigos,

longe de Casa (onde é a minha Casa?),

longe da vida…

 

A tarde traz a Melancolia e
um pensamento confuso para o coração enegrecido;

a vontade de desaparecer por entres as paredes,

por entre os livros,

qualquer caminho serve para fugir das recordações…

 

(Calem-se, ecos na cabeça,

Calem-se, amigos imaginários,

Vão-se, memórias falsas e pensamentos obscuros!

Deixem-me só e mal acompanhado,

Quero chorar e sufocar;

tudo serve para deixar de pensar!

Recordar…)

 

Tudo o que quero é ser feliz,
mas olho em volta e vejo-me sozinho...

Tenho medo...

Sinto-me perdido na doce Melancolia da tarde...


18/07/2004

O dia que nunca mais chega

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São quase 3 da noite e isso não é nada bom… As horas demoram a passar e o dia nunca mais chega. Não consigo dormir, não consigo deixar de pensar, não consigo parar de dar voltas e mais voltas à cama e já não suporto o cheiro a suor dos lençóis! O cheiro dos lençóis... Ainda me lembro do teu cheiro, do nosso cheiro, do cheiro que ficava nos lençóis quando nos deitávamos neles e nos abraçávamos… Ainda me lembro do brilho nos teus olhos por veres o brilho dos meus olhos e da felicidade que te dava ver que esse brilho era amor… Ainda me lembro das palavras ditas que nos arrepiavam a pele e nos aqueciam a alma e o coração… Ainda me lembro das palavras não ditas que nos inflamavam os corpos e aguçavam os sentidos… Ainda me lembro do gosto da tua pele e da suavidade dos teus lábios… Ainda me lembro disso todas as noites, até às 3 da noite e isso não é nada bom. Quando é que o dia chega? Quando é que chega o dia em que deixo de me lembrar e recomeço a viver?



15/07/2004

Enlouqueço

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Enlouqueço. Vejo-me morrer de mil e uma maneiras. Arrasto os dedos por cima das teclas e enlouqueço a cada letra. Perdi todo e qualquer motivo para viver. Apetece-me gritar. Apetece-me chorar. Apetece-me morrer. Apetece-me estar contigo. Tu odeias-me. Tal como eu me odeio. As mãos tremem, os dedos não obedecem, tenho de voltar atrás a cada linha para corrigir os erros.

Não sei o que dizer, agora que já não posso falar contigo. Não consigo parar de pensar, agora que vejo que estou morto. Não te tenho. Tive-te e deitei-te fora. Deitei fora a vida. Destruí um futuro que nunca acontecerá. Violei um passado sagrado que me atormentará para sempre. Só me resta um presente desgraçado, sem vida, sem alegria, sem luz, sem ti. As mãos tremem, os dedos não obedecem, tenho de voltar atrás a cada linha para corrigir os erros.

Errei. Abandonei-te sem saber ao certo porquê e errei ao fazê-lo. Só mais tarde descobri a vergonha, só mais tarde vi que te amava, que te amo, que te amarei e errei ao fazê-lo. Só mais tarde me apercebi do que fizera e contei-te e errei ao fazê-lo. E então enlouqueci. Perdi-te. Morri. E errei ao fazê-lo. As mãos tremem, os dedos não obedecem, tenho de voltar atrás a cada linha para corrigir os erros.

A cada minuto que passa, a cada hora que bate, a cada dia que acaba, penso em ti, no que te disse, no que tenho para te dizer. No que não permites que te diga. Amo-te. Odeias-me. Amo-te ainda mais por isso. É culpa minha que me odeies. É culpa minha que me odeie. Hoje o dia acaba. Agora, a noite não terá fim. Amo-te. As mãos tremem, os dedos não obedecem, tenho de voltar atrás a cada linha para corrigir os erros.

Já vejo o fundo do abismo, estou quase lá, na loucura. Já te vejo passar-me à frente. Dizes que me amas, é a melhor maneira de ver que estou louco, que não há salvação. Nunca mais te verei, farás por isso. Nunca mais. Nunca mais. Nunca mais. Nunca mais. Repito-o a mim mesmo, estou quase lá. As mãos tremem, os dedos não obedecem, tenho de voltar atrás a cada linha para corrigir os erros.

Cheguei. Estás aqui, comigo. Beijas-me. Dizes que me amas. Beijas-me. Digo-te que nunca mais nos separaremos. Beijo-te. Abraço a nossa filha, adoro-a, adoro-te, nunca mais nos separaremos. Viveremos para sempre aqui, no fundo da minha loucura, juntos, felizes, para sempre, nunca mais nos separaremos. As mãos tremem, os dedos obedecem, primo o gatilho para esquecer os erros… Adeus… Amo-te… Para sempre… Adeus.

14/07/2004

Vampire

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From this day forward, I live no more.
I am forever lost in the night,
Not living, but existing, surviving.
From this day forward, I quit the sun, forever.
I am nothing.
Lifeless, soulless, I am nothing.
Hated, feared, I am forever dead to the world.
I am the monster that breathing men would kill.
I am a vampire,
I choose to be a vampire,
I choose to feed only of you,
Your blood, your heart, your soul.
I quit my life forever.
Forsaken, forgotten, unforgiven,
I shall forever survive only because of you.
I am a vampire.
I live only as long as you live.
Without you I am nothing,
A mere pile of flesh and bone.
Your soul is my soul,
Your blood is my blood,
And your heart will keep me alive,
FOREVER…

11/07/2004

Carta de amor

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Queres namorar comigo?

SIM |___| NÃO |___| TALVEZ |___|

10/07/2004

Je réussi pas

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Tu me fais plonger dans le monde des rêves,
Je veux pas en sortir,
Je ne réussi pas à savoir pourquoi.

Je te vois parmi les étoiles,
Je t’entends dans la musique,
Je ne réussi pas a te parler.

Je veux t’embrasser, après
Je veux t’embrasser, mais
Je ne réussi pas à bouger.

Je veux te dire,
Je veux m’expliquer,
Je ne réussi pas à t’aimer.

Mon âme est vide,
Mon cœur est froid,
Je ne réussi pas a vivre.

A tout à l´heure, ma petite,
Jusqu’au moment que
Je réussi…

08/07/2004

Mensagens e asteriscos

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É absolutamente incrível a alegria que dá receber mensagens no telemóvel e numa delas vir um asterisco! Absolutamente inacreditável!

07/07/2004

Os ETs BUSH vêm aí!!!

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Agora que o Europeu acabou, a verdade vem à tona (grande palavra)! O que levou um pequeno país como o nosso a construir 10 estádios novos para um evento que durou 3 semanas? E mais importante ainda, de onde veio o dinheiro para esses estádios? Bem, o dinheiro veio dos Estados Unidos. Sim, é verdade. O pseudo-Presidente Bush patrocinou o Europeu de Futebol 2004! No entanto, a sua intenção não era que a porcaria da Grécia ganhasse; aquando da sua vinda aos Açores, há uns meses, Bush concluiu que Portugal, pela sua situação geográfica, era o local perfeito para criar uma enorme pista de aterragem para os ETs de Marte, o planeta-natal da família Bush. Os estádios seriam usados como luzes de sinalização para a referida pista de aterragem. George W. Bush não quis comentar esta teoria, mas basta ver os esforços feitos para a exploração de Marte para ver as saudades que Bush sente dos seus familiares…

06/07/2004

Explicação

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Ok... Pode parecer estranho (esta palavra vai ser repetida muitas vezes...), mas o primeiro texto tem quase meio ano. Na altura era um pouco mais feliz (uma coisinha de nada...) e decidi que, se alguma vez criasse um blog, aquele seria o primeiro texto. Muita coisa muda em meio ano... Demasiado muda em meio ano... Mas não quero ser pessimista! Tenho uma vida inteira pela frente para isso!

O Estranho

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Há um quarto estranho, ao cimo de umas escadas estranhas, numa casa estranha de um país estranho de um mundo estranho. Nesse quarto, há um rapaz não menos estranho que se veste de negro. Não quer que o vejam. Não quer estar sempre a enfrentar esse mundo que é tanto dele como o vermelho é do frio. Ele foge. Não porque quer, mas porque às vezes tem necessidade disso. Precisa de fugir, esquecer que já fez parte desse mundo, noutros tempos, quando era jovem. Quando era infeliz. Ou assim pensava. Talvez não fosse infeliz. Talvez só pensasse que o era porque não pensava. Porque era jovem. Porque não tinha que se preocupar com o amor, a escola, os amigos, com a vida em geral. Inevitavelmente, era suicida. Deitava-se e pensava em razões para viver. Todas as noites o mesmo ritual. Todas as noites a mesma conclusão. Não há razão para viver. Todas as noites a mesma angústia e sempre a mesma falta de coragem. É difícil ter uma faca na mão e dizer “É hoje!”. Ele chorava. Não porque ia morrer, mas porque era jovem. Porque é difícil ter-se 18 anos e pensar que nunca mais se vai ver o sol, a lua, uma árvore… É difícil ter-se 18 anos e nenhuma razão para viver. É difícil ter-se 18 anos e chorar todas as noites por não se ter motivos para viver. É difícil. Hoje, o rapaz já não tem 18 anos. Já não precisa de chorar todas as noites por não ter motivos para viver. Já os tem. E sejam eles quais forem, dão-lhe força para se levantar todos os dias e ir para Casa, onde está com os amigos, com os colegas e até com alguns desconhecidos. Descobriu que a vida é feita de altos e baixos. De desilusões, de angústias, de tristezas, mas também de alegrias, de sorrisos, de elogios, de humor, de felicidade, de amizade, de exultação, de frenesim, de gargalhadas, de abraços, de beijos, de olhos e de amor, inevitavelmente, de amor. Ainda chora. Não pelo presente, ainda que este nem sempre seja feliz, mas pelo passado. Por tudo aquilo que fez de mau e de que agora se arrepende tanto. Por tudo aquilo que podia ter feito de bom e que agora lamenta tanto não ter feito. E chora ainda por isso. Mas também chora de felicidade. Só ocasionalmente, porque não se pode abusar! Mas sorri. Sente-se feliz por ter sido cobarde, por não se ter suicidado. E sorri. Sorri porque, apesar de ter de se refugiar de vez em quando, gosta do mundo. Acha que vale a pena lutar por ele. Acha que vale a pena tentar ser feliz. Ainda sente que não faz parte deste mundo (não por se achar melhor, mas por se achar Estranho). Mas hoje brinca. Diz que é um suicida frustrado.
- E que bem que sabe essa frustração…